Não sou um apaixonado por mingau. Mas vou passar a consumi-lo nesta nova empreitada: mapear os tabuleiros de mingau de Salvador (que pretensão) e não só os tabuleiros também os carrinhos que pululam pela cidade.

Não fiz uma pesquisa sobre origens e significados do mingau. Na medida que falte assunto preencherei com estas informações de natureza antropológica. Associo o mingau ao trabalho por duas razões: a primeira, óbvia, é o ganha-pão, normalmente de mulheres, que iniciam sua jornada de trabalho antes da madrugada e emendam com a jornada doméstica.

Mas também é a refeição dos que vivem do trabalho. Daqueles que saem de casa cedo sem fazer a primeira refeição e tomam um copo de mingau antes de entrar no trabalho. Rango barato e calórico o suficiente para assegurar energia necessária ao batente até o almoço. Observe que, em Salvador pelo menos, sempre tem um tabuleiro de mingau próximo a um canteiro de obra.

Ajuda também a mitigar a fome de quem trabalhou durante toda a noite, vigilantes e porteiros quase sempre, e passaram a jornada quase que literalmente a pão e água. Tomam um copo de mingau para dormir o sono dos justos quando chegar em casa ou para estar pronto para emendar com outra atividade remunerada.

A crescente e infindável busca por serviços públicos de qualidade, notadamente os serviços de saúde, fornece o outro segmento consumidor: cidadãos que madrugam em busca de atendimento em clínicas, serviços previdenciários ou de intermediação de mão-de-obra.

Ponto de referência para a ação sindical – quando dirigente do SINERGIA Bahia o tabuleiro de mingau situado nas instalações da COELBA em Porto Seco Pirajá era o ponto de referência para reuniões com os trabalhadores, principalmente em época de campanha salarial. Era lá que eles se reuniam para comer e conversar antes de se dirigir para o posto de trabalho. E os dirigentes ganhavam um cafézinho de cortesia pois estas reuniões garantiam um faturamento extra para a vendedora de mingau (não posso esquecer deste registro).

E começar por onde? começo pelo mingau de Nalva, localizado numa rua secundária da Av Centenário. Certo dia de sábado estava andando por lá e me chamou a atenção as pessoas em volta do tabuleiro. Rolou o insight e neste sábado (28/10) voltei lá para o registro. A Nalva ocupa o ponto fazem cinco anos e trabalha com uma filha. Para minha surpresa o mingau só é comercializado aos sábados por ser o dia de gratuidade de uma clínica neurológica e que atrai muita gente, alguns vindo de cidades distantes trazidos por carros das prefeituras. De terça a sexta o ponto transforma-se no acarajé da Nalva funcionando a partir das 14 horas.

E o mingau ? tomei um mingau de milho, R$3,00 o copo de 300 ml. Tinha também de tapioca e, como é de lei, outros quitutes associados ao desjejum local: bolo, pão e café. Como não tenho o hábito de consumir mingau não tenho também referências para avaliar com precisão. Mas gostei, talvez menos açucar fosse do agrado do meu paladar. Apareça lá também e conte sua história. Não aprendi a capturar o mapa com a localização para publicar neste post. Clique neste link, http://bit.ly/mingau_nalva, que voce chega lá.

E mande sugestões para o nosso mapeamento pelo email luizdenis@yahoo.com.br .