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TRAMPO Trabalho e economia solidária

Pela revogação da emenda do teto dos gastos

Lançada no Fórum Social Mundial 2018, a primeira etapa da campanha Direitos Valem Mais, Não aos Cortes Sociais encerra-se neste 28 de abril. O objetivo da campanha, iniciativa da Coalizão Anti-austeridade, é mobilizar a sociedade para a revogação da Emenda Constitucional 95 que congela, e na prática reduz, os gastos com políticas sociais. Como consequência já observamos as tentativas de desmanche dos IFs, ataques ao SUS e iniciativas de venda de ativos (empresas estatais ou parte delas).

Esta primeira etapa consiste na realização de reuniões ou rodas de conversas em sindicatos, associações de moradores, locais de moradia e aglomerações outras para a divulgação dos impactos destas medidas de austeridade econômica já que os meios de comunicação constroem a ideia de que os governos gastam mal e portanto devem reduzir seus gastos omitindo o impacto destas medidas na vida das populações empobrecidas.

Apesar de várias entidades e organizações de peso social terem se comprometido com a campanha, não observo aqui na Bahia a realização das ações propostas. Mas como entendo que o dia 28 de abril é uma referência deixo a sugestão que as rodas de conversa aconteçam onde for possível.

Para animar a iniciativa acesse : http://direitosvalemmais.org.br/ 

E assista os vídeos :

A necessária defesa das empresas públicas

Enquanto partidos e movimentos sociais de esquerda saem em defesa da liberdade do Presidente Lula, ação necessária para evitar que o golpe se aprofunde, o governo Temer continua com o processo de desmonte da economia nacional. Tenta vender aos poucos o patrimônio da Petrobras, privatizar a Petrobras e reduz o papel dos bancos públicos enquanto indutor da atividade econômica.

Aos poucos os movimentos sociais vão reorganizando a sua capacidade de enfrentamento e construindo ações necessárias para a preservação da capacidade dos governos de intervirem na economia.

Nesta perspectiva o Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas realiza, em conjunto com parlamentares e sindicalistas, o Seminário ‘Defesa das Empresas Públicas’ no dia 8 de maio nas dependências do Congresso Nacional.

Mais informações no site do Comitê (http://www.comiteempresaspublicas.com.br) ou na página no Face (https://www.facebook.com/comiteempresaspublicas/)

Paul Singer : “A economia solidária se aproxima das origens do socialismo”

Na noite da segunda feira, 16 de abril, perdemos o Prof. Paul Singer, economista, militante, fundador do PT e um dos animadores da economia solidária no Brasil. Dentre as justas homenagens prestadas destaco a republicação pelo site Brasil Debate de entrevista concedida pelo Prof. Paul Singer no ano de 2014 (clique aqui para ler) .

Mas o que me chamou a atenção ?

  • a humildade do professor Singer em reconhecer que a Cáritas Brasileira foi a percussora da economia solidária no Brasil. Muita gente, desavisadamente, atribuía esta primazia a Singer mas este nunca se colocou nesta posição. A citação da Cáritas põe ordem na história;
  • a recuperação do papel da ANTEAG como entidade de apoio e assessoria às “fábricas recuperadas” : fábricas em estado falimentar cujo parque produtivo passava ao controle dos trabalhadores que, de forma coletiva, recuperava-as para o mundo produtivo;
  • a necessária aproximação entre a economia solidária e a construção do socialismo. Esta questão esteve presente nos debates que antecederam a adesão do movimento sindical cutista (à época o PCdoB e PSTU estavam na CUT e o PSOL não existia mas o seu núcleo fundador estava na CUT) às teses da ecoomia solidária. Não apenas como alternativa ao desemprego (acreditava-se que o combate ao desemprego devia se dar através de medidas macro economicas) mas, principalmente, enquanto exercício de controle dos meios de produção pelos trabalhadores já que o “socialismo real” não era mais alternativa viável.

Estes resgates fazem-se necessários já que estamos percebendo a necessidade de refazer a caminhada não exatamente do início. Mas de onde a retomamos devemos levar em conta os passos dados, certos ou errados, e com quem com quem caminhamos durante estes tempos.

Reforçar a narrativa : “cadê as provas”

A forma açodada com que o juiz Sérgio Moro conduziu a prisão do Presidente Lula criou uma quase comoção nacional e manteve a esquerda unida mesmo que só durante algumas semanas. Embora não tenha ampliado o leque de apoiadores, as manifestações que ocorreram desde o anúncio da expedição do mandato de prisão trouxeram para as ruas uma militância que andava meio sonolenta.

Embora inexistam pesquisas oficiais, colunistas, blogueiros e a imprensa tradicional sinalizam que o sentimento da população em relação a Lula é de percepção de uma situação de injustiça : por que só Lula foi preso? A princípio não se questiona a injustiça da condenação mas a injustiça da não prisão de outros tantos.

Talvez por isso o Poder Judiciário e a imprensa esforçam-se em apresentar denúncias e dar curso a processos investigatórios que atingem o Presidente Temer, o senador Aécio, o governador Geraldo Alkmin e outros tantos acusados ou suspeitos. Óbvio que a queda do foro privilegiado para aqueles que se desincompatibilizaram do cargo para concorrer às eleições conta também. Mas me parece que existe uma iniciativa para oferecer uma companhia a Lula na sede da PF em Curitiba.

Se for verdadeira esta leitura da percepção popular e se mais um figurão for preso a sensação de que Lula é vítima de uma injustiça pode diminuir e junto eventuais gestos de solidariedade. Sem contar que o passar do tempo vai reduzindo o ímpeto das manifestações populares.

Portanto faz-se necessário reforçar a narrativa, que corresponde aos fatos, de que Lula foi condenado injustamente já que inexistem provas. Que cabe a quem acusa o ônus da prova. E que suposições, por mais nexos que se estabeleçam, não substituem provas. Enfim voltar a agitar como palavra de ordem a pergunta que fazíamos semanas atrás :

“cadê as provas ?”

Reflexões sobre o “fake news”

Vivemos nos últimos dias o transbordar da violência política até então restrita às redes sociais. A execução da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e os tiros desferidos contra a caravana do ex-presidente Lula são consequência desta escalada de ódio em parte alavancada pela propagação de notícias falsas, os “fakes news”.

Em paralelo o escândalo “Facebook – Canbridge Analytics” escancarou o que se denomina “capitalismo de vigilância” onde os dados pessoais disponibilizados em redes sociais são utilizados para a manipulação de campanhas de consumo e/ou eleitorais.

Buscando ir além das manifestações da justa indignação e manter o debate aceso, este informativo vai fugir da pauta tradicional (mundo do trabalho e economia solidária) e oferecer a sugestão de leitura de textos veiculados recentemente na imprensa nacional.

Clique nos títulos em negrito para ter acesso :

Fico por aqui. Boa leitura, boa Páscoa e visite meu site www.trampo.blog.br

Luiz Denis – editor
Salvador março 2018

Mobilidade e trabalho na RMS

Na terça-feira, 21 de março, tivemos um “apagão” no norte e nordeste do país que deixou milhares de trabalhadores em Salvador e RMS sem ter como voltar para casa. Devido à falta de energia o sistema de metrô deixou de funcionar. Até aí nenhuma novidade.

O problema é que descobrimos de forma penosa que não existe um plano B no nosso sistema de transporte coletivo que dê conta das consequências do não funcionamento do metrô. As linhas de ônibus que fazem o trajeto suprido pelos trens são insuficientes, óbvio, mas o que estarrece é que não existe nenhum plano emergencial para minimizar o impacto.

Resultado: milhares de trabalhadores e estudantes se aglomerando no acesso às estações no aguardo do retorno da energia elétrica para poder retornar para casa.

Tão estarrecedor quanto é o silêncio dos agentes públicos, imprensa e dos sindicatos pois a mobilidade urbana é parte das relações atinentes ao processo de trabalho.

Tentando identificar as responsabilidades dos agentes públicos descobri que existe uma agência reguladora para o sistema de transporte municipal. No momento em que escrevo este post o site da ARSAL (este é o nome da agência) está fora do ar.

Em compensação – embora o movimento sindical não se interesse pela jornada do trabalhador pelas ruas da cidade existe na universidade que se interesse: minha amiga Jamile Souza me recomendou um texto interessante publicado no blog Farol Economico : Deslocamento Casa-Trabalho e Renda na Região Metropolitana de Salvador: Esperar Compensa? de autoria do economista Fábio Senna. Demonstra que gastar tempo em deslocamento para o trabalho só compensa para quem ganha muito.

Mas leiam, tirem suas conclusões e torçam para não precisar do transporte público quando do próximo apagão.

Pós 8 de março – mulher e trabalho na RMS

 

Na correria do trabalho (sou blogueiro nas horas vagas) não consegui publicar sobre o Dia Internacional da Mulher. Vamos lá então: este primeiro post terá como base o boletim especial da PED editado pelo DIEESE/SEI. A região de abrangência é Salvador e demais municípios da Região Metropolitana.

A primeira evidência no ano de 2017 é o aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho. Pode ter algo de positiva mas o senso comum nos leva a crer que em tempos de crise as mulheres, notadamente nas famílias de baixa renda, são levadas a buscar alguma ocupação que ajude na renda familiar. Sem necessariamente abandonar as suas responsabilidades domésticas; consolidando assim a dupla jornada de trabalho.

Para além do senso comum os números nos mostram que a oferta de vagas no mercado de trabalho não acompanhou o ritmo da oferta gerada pela ampliação da inserção das mulheres. Resultado : cresce o desemprego entre as mulheres na RMS.

Uma notícia positiva: diminuiu a disparidade entre os rendimentos das mulheres em relação aos homens, tomando como base a remuneração por hora trabalhada.

Enfim, o momento de crise econômica que vivemos acirra mais ainda os históricos problemas de gênero no mercado de trabalho. Mas estas questões específicas, de gênero no caso, devem ser cotidianamente pautadas para que uma próxima retomada da economia traga também as suas soluções. Não podemos repetir o discurso fácil e enganoso de que primeiro a economia deve crescer para posteriormente resolver as questões de gênero.

Mas estas são as minhas conclusões. Tire as suas lendo o boletim do DIEESE/SEI clicando aqui.

#trampomulher

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