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TRAMPO Trabalho e economia solidária

notícias e reflexões sobre o mundo do trabalho e economia solidária

Acompanhe minha leitura do 13 CONCUT através do YouTube

Não é simples fazer uma cobertura de um evento como o Congresso Nacional da CUT por redes sociais. Principalmente quando se tenta fazer tudo sozinho. Mas o desafio está motivador e vou um pouco além do final do Congresso.

Vou ficar uns dois dias sem postar no blog mas atualizarei minhas opiniões pelo YouTube. Se o link funcionar aproveitam para seguir o canal e deixar um like. E clica no “sininho” para ser informado de novas postagens

https://www.youtube.com/user/luizdenis

Volto já

Breves considerações sobre o caderno de teses ao 13 CONCUT

Li rapidamente o caderno de teses ao 13 CONCUT. Pra ser sincero li apenas a Tese da Direção deixando para um outro momento as contribuições das demais correntes de opinião a as contribuições de sindicatos e ramos de produção.

O que me chama a atenção :

  • cresce em importância a atuação internacional articulada com outras entidades com as quais a CUT já mantém relações (CSA e CSI). Consequência natural de uma economia cada vez mais globalizada e que destina aos países do hemisfério sul o papel de produtores de matéria prima;
  • o resgate de princípios da CUT que nortearam a sua criação e que deram identidade à central : as noções de classe social e a necessária solidariedade entre os trabalhadores. Como consequência o apelo à solidariedade entre os sindicatos cutistas para além da retórica e um convite ao esforço de representação de todos os trabalhadores da base sindical independendo de vínculo empregatício;
  • a reafirmação da necessidade de construção de instrumentos de autofinanciamento. A denúncia e resistência aos ataques de Bolsonaro à organização dos trabalhadores não pode se confundir com a defesa do imposto sindical;
  • o necessário esforço para unificação de data-base e articulação de campanhas salariais que ocorrem no mesmo período. E para a inclusão nas acordos coletivos de cláusulas que atendam as demandas de terceirizados, MEIs e demais formas de contratação no âmbito destes acordos;
  • a orientação para que os sindicatos e em particular as CUTs estaduais aproximem-se de organizações de representação de trabalhadores fora do mercado de trabalho formal e incentivem a organização, onde não houver, destes segmentos;
  • a orientação para a organização dos trabalhadores desempregados ;
  • a redefinição do papel das CUTs estaduais e da conformação dos macro-setores e ramos de produção;
  • a disputa por um modelo de desenvolvimento que preserve o meio-ambiente, distribua riqueza e faça uso das novas tecnologias na perspectiva da melhoria de vida dos trabalhadores.

Me pareceu um conjunto de proposições que dá conta das exigências da conjuntura. Mas que exige um esforço de militância e adaptação aos novos tempos dos atuais dirigentes e ativistas sindicais. Este me parece o maior desafio.

No que tange ao papel das CUTs estaduais, penso que num estado com as características geográficas da Bahia requer um maior esforço de formulação sobre o papel da CUT Ba. Vamos aguardar então o pós Congresso.

Boletim de Conjuntura do DIEESE : a perversa marcha da insensatez

Aparentemente alarmista, o título do Boletim de Conjuntura do DIEESE deste mês de setembro (leia aqui) expressa o momento vivido pela economia brasileira fruto da opção exageradamente liberal do governo Bolsonaro aliada às incertezas da economia mundial.

A consequência imediata é o empobrecimento dos trabalhadores brasileiros e os instrumentos de uma eventual retomada do desenvolvimento comprometidos pelas ameaças de privatização e desmanche das empresas estatais.

A leitura cuidadosa do texto dá a exata medida do momento vivido. Clique aqui…

Agricultura 4.0

O título deste post remete a uma resenha de artigo publicado originalmente na Revista América Latina en Movimiento No. 543: Tecnologías: manipulando la vida, el clima y el planeta. Publicada originalmente em espanhol, traduzi com o inestimável auxílio do Google Tradutor e editei algumas poucas palavras. Eventuais dificuldades de interpretação ficam por minha conta. Boa leitura…

Extremas fusões entre as empresas da cadeia do agronegócio e o avanço vertiginoso da digitalização dos processos agrícolas estão afetando a agricultura e a alimentação em todo o mundo. Chamamos esse fenômeno de Agricultura 4.0. O controle através de plataformas de dados em massa e automação se estende aos fatores mais importantes na segurança alimentar global. Obviamente, a soberania alimentar não é uma prioridade neste esquema. Analisamos o texto de Pat Mooney e do Grupo ETC “Blocking the Chain”, que pode ser lido na íntegra em espanhol no site do ETC Group.

O hardware – A maquinaria

O Agriculture 4.0 usa robôs, drones aéreos e aquáticos, tratores auto pilotado, inteligência artificial, milhares de imagens elétricas, biológicas, acústicas, visuais, olfativas e hiperespectrais. Quem possui esses dados liderará as tendências na produção agrícola. Na convergência para o controle horizontal e vertical da produção agrícola, John Deere é um paradigma e desde 2001 que esta empresa compra informações sobre sementes e agroquímicos. Hoje, você pode combinar as informações dos sistemas de posicionamento geográfico e a robotização de suas máquinas com as informações genéticas e químicas que você adquiriu daqueles que dominaram o mercado de insumos nos últimos 18 anos.

Os drones aéreos já foram projetados para detectar culturas e ervas daninhas, distribuir nutrientes ou pesticidas, economizar combustível e reduzir o desperdício. Existem máquinas que pastam, monitoram plantações de palmeiras (e seus trabalhadores) e monitoram pragas. Existem ciber-insetos que monitoram as plantações e devem substituir os polinizadores naturais. Os drones submersíveis podem controlar cercas elétricas e gaiolas móveis e movê-las para melhores condições climáticas e alimentares para maximizar o rendimento da criação e captura de peixes. A invasão de máquinas inteligentes nas bacias e oceanos pode acabar cercando uma das últimas áreas comuns do mundo, o mar aberto, deixando em total vulnerabilidade a mais de 10% da humanidade, os pescadores não industriais.

  1. O software – Interface entre dados massivos e biociências

O software mais importante na Agricultura 4.0 são os enormes dados sobre genética de plantas e animais. O maior investimento está no desenvolvimento de interfaces entre plataformas de dados massivas e biociências, como a biologia sintética. Continuar lendo “Agricultura 4.0”

Breves considerações sobre a importância da Petrobras na Bahia – DIEESE – ERBa

Circula desde ontem em grupos locais de Whatsapp um texto divulgado pelo Escritório Regional na Bahia do DIEESE sobre a importância da Petrobras para a economia baiana. Como todo trabalho do DIEESE o texto é enxuto em adjetivos e pródigo em informações substantivas. Aponta claramente que a saída da Petrobras da Bahia vai acarretar um baque na nossa economia e fragilizar mais ainda a capacidade de arrecadação do Governo do Estado. Com consequências que vão bem além de Salvador e Região Metropolitana.

Fico na expectativa de que a circulação e leitura do texto provoque a união e reação dos baianos a mais este desatino de Bolsonaro e Paulo Guedes. Para quem desejar uma cópia do texto em PDF clica aqui. E a seguir vai a versão integral. Trata-se de um “textão” de fácil e rápida leitura :

Salvador, 27 de setembro de 2019

Breves considerações sobre a importância da Petrobras para a economia baiana

Histórico e desenvolvimento da economia baiana
A Bahia é um dos estados com maior importância no contexto nacional, seja por questões territoriais, geográficas, demográficas, e econômicas. É um estado marcado por grandes transformações em sua estrutura econômica ao longo do século XX, que não somente refletiram, em grande medida, as transformações pelas quais passou a economia brasileira, como foi estrategicamente alvo de mudanças que propiciaram o avanço da região Nordeste.

Até 1950 a economia baiana era predominantemente primária exportadora, com uma tendência evidente de concentração de riqueza, com alta suscetibilidade às flutuações de demanda externa e também com baixa contribuição ao dinamismo econômico, não proporcionando a implantação de outras atividades que possibilitassem a diversificação da estrutura produtiva, com utilização intensiva de mão de obra não qualificada.
A partir da década de 1950, a Bahia sofre mudanças nesta configuração econômica e surgem os primeiros movimentos de expansão do processo de industrialização do estado. As indústrias químicas, metalúrgicas, metal-mecânica passaram a se difundir gradativamente nas décadas vindouras. Destacando-se, em 1956, a implantação da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), da Petrobrás, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), que lançou os alicerces dessa nova configuração.

A estrutura produtiva baiana é integrada com as cadeias produtivas nacionais e, ao mesmo tempo, é um estado que contribui fortemente para o saldo da balança comercial brasileira. Possui uma atividade econômica relativamente diversificada, com forte presença do setor petróleo, petroquímico, de alguns segmentos da Indústria de transformação (informática, calçadista, química, metal-mecânica, papel e Celulose, por exemplo), de Serviços e Comércio (em particular, os relacionados ao turismo), de eletricidade e gás (para a geração, transmissão e distribuição de energia elétrica), bem como das atividades agrícola e pecuária.  Continuar lendo “Breves considerações sobre a importância da Petrobras na Bahia – DIEESE – ERBa”

Carta da Articulação do Campo ao Governador Rui Costa

Um conjunto de organizações sociais do campo se organizaram num coletivo autodenominado Articulação do Campo e produziram um documento reivindicatório dirigido ao Governador Rui Costa.

Com data de 17 de setembro este documento é organizado em 9 pontos tratando de questões de natureza financeira, ausência de marco legal ou não cumprimento de preceitos legais em vigor. Trata também de questões vinculadas à insuficiência hídrica.

Até onde consegui apurar a carta foi protocolada na Governadoria mas não obtive informações concretas sobre existência de resposta ou agendamento de reunião para discutir o documento.

A carta é assinada pelo Forum Baiano de Agricultura FamiliarASA Bahia – Articulação no Semiárido, AABA – Articulação de Agroecologia na Bahia, REFAISA – Rede das Escolas Famílias Agrícolas Integradas do Semiárido, MPA – Movimento dos Pequenos Agricultores pelo MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens.

Para conhecer a íntegra da carta clique aqui.

Sindicatos hoje : bons diagnósticos, faltando atitude

Retomei nesta sexta, agora em definitivo, a publicação de um informativo sindical pelo Whatsapp (para receber clique aqui) com a publicação de três textos de autoria de Clemente Ganz, coordenador técnico do DIEESE, sobre o momento sindical brasileiro.

Corretamente fui questionado pelo companheiro metalúrgico Fernando Lopes não sobre a pertinência dos textos mas sobre a necessidade de atitudes de enfrentamento evidenciado pelos diagnósticos presentes nos textos. Total concordância e uma certa angústia por conta da urgência destes enfrentamentos. Mas por outro lado uma certeza íntima de que a resposta mais contundente virá daqueles que vivem diretamente as agruras deste “novo” mundo do trabalho.

Mas enquanto estes novos atores não se manifestam vamos a algumas especulações e possibilidades:

  • observar os desdobramentos do 13 CONCUT. Este tema estará em pauta, até para a sobrevivência da CUT com a importância que tem nestes últimos 30 anos;
  • dialogar com os assessores e prestadores de serviço do movimento sindical que são MEI (Micro Empreendedor Individual) para organizar um coletivo que agregue outros trabalhadores desta modalidade e organizar pautas e agendas, embrião de uma nova entidade de representação política;
  • organizar um coletivo de ativistas, acadêmicos, dirigentes, parlamentares,…, interessados na temática para mapear iniciativas, fazer intercâmbio de experiências e propor formas de atuação.

É o que me ocorre…e enquanto aguardo a sua opinião deixo aqui os textos que citei no início do post:

O Sindicato do futuro será a resposta às complexidades
http://bit.ly/2kM7X0f
O sindicato do futuro : entre o essencial e o urgente
http://bit.ly/2kzpVTK
Reforma sindical : com o pé na mina
http://bit.ly/2kgIz2m

Carta de Salvador – documento final do encontro anual da Associação Brasileira de Estudos do Trabalho

A ABET – Associação Brasileira de Estudos do Trabalho realizou em Salvador na semana passada o seu XVI Encontro Anual. Segue o teor da Carta de Salvador, documento aprovado pela plenária da associação :

ABET – CARTA DE SALVADOR

Nós, pesquisadoras e pesquisadores do mundo do trabalho, diante das políticas governamentais de ataque ao trabalho e à ciência em nosso país, vimos a público:

REAFIRMAR o nosso compromisso com os padrões de trabalho digno e decente definidos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), os direitos da cidadania garantidos na Constituição de 1988, o estado social, a soberania e o desenvolvimento nacionais, a democracia e a educação em todos os níveis;

REPUDIAR os processos de desmonte do estado social e a quebra da soberania nacional em acelerado andamento em nosso país, os quais, de forma antidemocrática, ferem a Constituição Federal de 1988 e as normas convencionais, com ameaças à cidadania e à soberania nacional;

DENUNCIAR a Emenda Constitucional 95, que congelou os investimentos com saúde, educação e infraestrutura por vinte anos, impondo ao país um ajuste fiscal sem precedentes no mundo, cujas consequências já se fazem sentir de forma dramática na elevação do grande contingente de desempregados e subempregados, na ampliação da informalidade e da pobreza, jogando o país em grave crise econômica e social;

RECHAÇAR o conjunto de alterações radicais no sistema público de regulação social do trabalho, materializadas, sobretudo, na legalização irrestrita da terceirização, na reforma trabalhista de 2017 e na recém aprovada lei da Liberdade Econômica, com impactos extremamente negativos para as classes trabalhadoras, tais como: redução de direitos; prevalência do negociado sobre o legislado; aumento e intensificação da jornada; arrocho salarial; fragilização da organização sindical; redução substantiva do papel da Justiça do Trabalho e a imposição de ônus inaceitáveis ao acesso dos trabalhadores à Justiça, com quebra do princípio da gratuidade. Após quase dois anos de implementação da reforma trabalhista, nossas pesquisas evidenciam que não houve qualquer avanço nas condições de trabalho e emprego no país;

REJEITAR o ataque às instituições públicas do trabalho, como a extinção do Ministério do Trabalho e Emprego, as restrições ao sistema de fiscalização do trabalho via revisão de Normas Regulamentadoras para aumentar o lucro de grandes empresas e pela limitação da atuação da auditoria-fiscal;

ADVERTIR para as ilusões difundidas pelo discurso do empreendedorismo e da valorização do trabalho nas plataformas digitais em substituição ao emprego formal. Esses processos resultam em um elevadíssimo custo social, visto que mascaram as relações de emprego e responsabilidades patronais, deixando no mundo do trabalho o rastro de jornadas extenuantes, acidentes de trabalho e doenças ocupacionais;

ALERTAR para as regressões civilizatórias embutidas nas propostas de revisão do conceito de trabalho análogo ao escravo e de alteração das normas relativas ao trabalho infantil;

RECUSAR a proposta de alteração do sistema de Previdência Social que terá como consequência a sua privatização, o impedimento, na prática, do acesso dos segurados à aposentadoria e a quebra da solidariedade e do compromisso intergeracional, alicerces constitucionais da Seguridade Social;

OPOR-SE aos cortes de recursos e de bolsas que estão inviabilizando o funcionamento das universidades públicas e o desenvolvimento de pesquisas, bem como às propostas privatistas e precarizantes do trabalho apresentadas no programa Future-se/MEC;

EXIGIR uma política de valorização real do salário mínimo para que o Brasil caminhe em direção à superação da sua histórica e inaceitável desigualdade social.

Finalmente, a ABET ciente do seu compromisso com a defesa de condições dignas de trabalho e de vida, soma-se a todas as instituições e movimentos que estão se posicionando contra esses ataques que trazem insegurança e incerteza quanto às perspectivas de futuro do Brasil.

Associação Brasileira de Estudos do Trabalho – ABET
16º Encontro Nacional
Salvador – Bahia
6 de setembro de 2019.”

Programação do Encontro da Associação Brasileira de Estudos do Trabalho

Com a conferência do professor Ricardo Antunes tendo como tema “A Reforma trabalhista: o capitalismo de plataforma e a protoforma do capitalismo” a Associação Brasileira de Estudos do Trabalho” abre a seu XVI encontro na Reitoria da UFBa às 18 horas.

O evento é de natureza acadêmica mas traz vários debates de interesse do movimento sindical e alguns dos acadêmicos debatedores passaram pelos espaços de formação político sindical da CUT a exemplo de Roberto Veras, José Dari Klain e Marilane Teixeira.

Dois dirigentes sindicais estarão numa mesma mesa de debate : Luis Antonio (SINTTEL RJ) e Marino Vani (Industriall Global Union) debaterão sobre “Reforma Trabalhista no Brasil e no mundo – ações e resistências dos trabalhadores” no dia 5 às 8:30 na Faculdade de Filosofia da UFBa em São Lázaro.

A programação completa voce encontra nos links abaixo :

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