Busca

TRAMPO Trabalho e economia solidária

notícias e reflexões sobre o mundo do trabalho e economia solidária

Audiência pública sobre Economia Solidária traz Ladislau Dowbor a Salvador

O mandato do Senador Jaques Wagner – PT Ba realiza nesta segunda feira, 09 de dezembro, audiência pública para discutir os rumos da economia solidária no país. A iniciativa visa colher subsídios para aprimorar a PEC 69/2019 de autoria do Senador que objetiva inserir a economia solidária entre os princípios da ordem econômica brasileira.

Os debates ocorrem entre as 9 e as 17 horas e às 10:30 o professor Ladislau Dowbor faz a intervenção principal na mesa que discute “Desafios da Economia Solidária na Atual Conjuntura”.

O professor Ladislau Dowbor tem uma vasta produção acadêmica, escrita em linguagem acessível porém sem perder a profundidade. Mantém um site (veja aqui) onde comenta as movimentações da conjuntura econômica, resenha livros atuais e comenta as teses e textos dos economistas que impactam na compreensão do mundo contemporâneo.;

É autor de um livro necessário para entender o mundo hoje : “A era do capital improdutivo” editado pelo site Outras Palavrase editora Autonomia Literária cuja versão integral me PDF pode ser lida clicando aqui.  No seu site encontramos um pequeno curso em vídeo, produzido em parceria com o Instituto Paulo Freire, sobre o teor do livro. São vídeos curtos, um para cada capítulo do livro, deixando a experiência mais suave.

Deixo a seguir o primeiro vídeo do curso :

18 de março de 2020 – indicativo de dia nacional de protestos em defesa das estatais

Entidades representantes dos trabalhadores do serviço público nas três esferas reunidas em Brasília no dia 26 de novembro aprovaram um manifesto em defesa das estatais e serviços públicos de uma forma geral e um calendário de mobilização a ser ratificado pelas centrais sindicais sinalizando o dia 18 de março como dia de mobilização, paralisações e protestos. Recomendam também às centrais sindicais a necessidade de discutir a realização de uma greve geral ainda no primeiro semestre do próximo ano.

Informações mais detalhadas estão disponíveis no site da CUT no link http://bit.ly/34P8alf 

O manifesto completo pode ser lido aqui; já a proposta de calendário de mobilizações está disponível clicando neste link.

Por um plano de ação para a CUT #006 – representação de trabalhadores informais e de “aplicativos”

Como era esperado a CUT no seu recente congresso aprovou resolução no sentido de organizar e representar sindicalmente os trabalhadores que estão na informalidade, MEI’s e trabalhadores via “aplicativos” (UBER, 99, IFood e similares).

A decisão é correta mas esbarra em questões práticas: os dirigentes dos sindicatos cutistas foram formados, independendo da espaço de formação, para atender e representar apenas os trabalhadores da sua base de representação. Esta é a forma como o movimento sindical brasileiro se constituiu sem entrar no mérito da forma. Portanto acredito que os atuais dirigentes não se sentirão motivados e muito menos seguros para atuar nesta frente de organização e ação sindical.

Mas como esta diretriz é vital para a representatividade social da CUT (o público alvo ocupa um espaço crescente no mercado de trabalho caminhando no sentido de superar a quantidade de trabalhadores assalariados), deve-se buscar as condições para a sua realização.

Proponho que a CUT Ba inicie de imediato um plano de formação sindical voltado à sensibilização e preparação dos atuais dirigentes para compreenderem a importância da resolução e as características de funcionamento destes segmentos para a partir daí (ou em paralelo) dar início às ações organizativas.

Cabe salientar que estes novos atores do mercado de trabalho estão espalhados por todo o território baiano. Maior ou menos êxito desta tarefa depende também do maior ou menor grau de interiorização das atividades e ações.

Por um plano de ação para a CUT Ba #005 – compartilhar estruturas para enfrentar a crise de financiamento

É certo que o movimento sindical brasileiro está sob ataque em diversas frentes com o objetivo único de extermina-lo: de um lado retiram-se direitos e suprime-se legislação que dava alguma proteção ao trabalhador e do outro são criados obstáculos ao financiamento das atividades sindicais.

A resposta requer firmeza na ação político e sindical combinada com a alteração de padrões de funcionamento das entidades. Por mais que o discurso da superação do corporativismo seja repetido fazem décadas o que vemos é a fragmentação da ação sindical e, mais ainda, a fragmentação da estrutura sindical. Cada sindicato atua de forma isolada sem o menor senso de solidariedade. Uma das saídas para minimizar a atual crise é o compartilhamento das estruturas sindicais. Quase todos os sindicatos com estrutura de funcionamento própria carrega alguma capacidade ociosa. E tem crescentes dificuldades de prover o custeio desta estrutura, drenando recursos da ação sindical para a manutenção da máquina. Saída natural : compartilhar estruturas possibilitando inclusive que sindicatos mais frágeis financeiramente tenham acesso a esta estrutura. Parece óbvio porém esta tese é debatida desde a fundação da CUT sem êxito algum.

Outra iniciativa a ser adotada é a adaptação da estrutura sindical aos novos padrões da organização do trabalho: mais agilidade no funcionamento, uso intensivo de tecnologia e dirigentes mais próximos da sua base de representação. O que requer menos estrutura e mais ação sindical.

E por falar em ação : no frigir dos ovos o que define a disposição do trabalhador em bancar o seu sindicato é a percepção de que investir na sua entidade de representação vale a pena. Portanto uma ação sindical eficaz, aferindo cotidianamente as demandas dos trabalhadores, com um processo de comunicação ágil e moderno e tentando fomentar espaços de sociabilidade onde os trabalhadores estejam juntos são medidas necessárias para que as anteriores tenham possibilidade de sucesso.

Dia da Consciência Negra e a agenda sindical

Próxima quarta, 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, boa presença do movimento sindical na construção de uma nova cultura de convivência que supere o racismo mas se olhamos o mercado de trabalho as diferenças permanecem principalmente quando observa-se o fator renda e posição no mercado de trabalho. Para uma leitura mais detida recomendo o estudo do IBGE “ Desigualdades sociais por cor ou raça no Brasil” (clique aqui) e para uma visão mais geral o infográfico produzido pelo DIEESE (link para post no Face aqui).

Ano passado provoquei o debate : quais as cláusulas presentes em acordos coletivos ou em pautas de reivindicação tratam da erradicação das desigualdades de renda e oportunidades entre brancos e não brancos no mercado de trabalho formal ? Tive uma resposta do Diretor de Combate ao Racismo da CTB Ba que ficou de me enviar as cláusulas mas não o fez. E só.

Muitos dirão que a questão é estrutural e só se resolve no longo prazo com a adoção de medidas reparadoras. Verdade…. mas até lá algumas questões podem e devem ser postas em prática pelo movimento sindical :

Acesso às oportunidades de qualificação profissional – como se dá este acesso nas empresas ? A cor da pele influencia a tomada de decisão pelos gerentes, quase sempre brancos ? Quem monitora estes processos ? Por experiência pessoal este é um gargalo que só será superado não só com cláusulas definindo regras como também com organização sindical no local de trabalho fiscalizando o cumprimento do acordado.

Valorização do salário mínimo : a maior concentração de negros e pardos está na base da pirâmide do mercado de trabalho por conta das óbvias razões estruturais.Via de regra estas ocupações tem a sua remuneração indexada pelo salário mínimo. Logo uma política que assegure aumento real do salário mínimo contribui significativamente para melhorar a situação de quem está na base da pirâmide e por conseguinte reduzindo as diferenças entre brancos e não brancos. Só que a política de valorização do salário mínimo, instrumento de distribuição de renda mais eficaz que o Bolsa Família, foi extinto pelo governo Bolsonaro sem a necessária e devida denúncia por parte do movimento sindical.

Sem a pretensão de esgotar o assunto deixo estas duas proposições para o debate e, principalmente, para a ação sindical. Para que a ação sindical neste e nos próximos “20 de novembros” não se restrinjam a peças de publicidade nas redes sociais ou atitudes meramente litúrgicas.

Óleo nas praias e o papel do movimento sindical

Desnecessário contextualizar o problema por demais conhecido. Novas manchas de petróleo surgem enquanto a repercussão na imprensa é eminentemente ambiental. Enquanto isso milhares de pescadores e marisqueiras perderam o acesso à sua principal fonte de renda; e não se sabe por quanto tempo.

E o movimento sindical com isso ? Pela legislação pescadores são representados por Colônia de Pesca, herança da época do Presidente Getúlio Vargas, reforçada pelos militares. Estas entidades, algumas filiadas à CUT, tem caráter, na minha opinião, sindical com um aspecto adicional : a autoridade de atestar quem é ou não é pescador. E aí começam os problemas.

Indaguei recentemente o companheiro Cedro Silva, presidente da CUT Ba sobre ações adotadas pela central sindical. Adotou o caminho protocolar: antecipar ou ampliar o “seguro defeso” uma espécie de seguro desemprego para quem vive da pesca. O problema : o público beneficiário deste seguro é questionado, faz tempo, pelas autoridades por suspeita de fraude e um processo de recadastramento se arrasta. Agrava a situação a presença de um parlamentar, dirigente da categoria, que consolidou sua base eleitoral a distribuindo graciosamente a certificação de pescador a quem não exercia a função. Concluindo : nenhuma medida prática adotada.

Defendo a tese que o movimento sindical deve abraçar a tese de que estes trabalhadores devem ser beneficiários do seguro desemprego uma vez que a sua possibilidade de sobrevivência foi suprimida abruptamente. Para esta tese prosperar faz-se necessário que se convoque os Conselhos Estaduais de Trabalho e Renda nos estados afetados para debater e decidir a questão encaminhando o pleito para o Conselho Nacional de Trabalho e Renda.

Um problema de ordem prática tem que ser enfrentado : como definir com precisão o público beneficiário uma vez que a atividade de pescadores e marisqueiras carrega um alto grau de informalidade ? A dificuldade na resposta não pode e nem deve ser empecilho para solução do problema.

Existe precedente neste sentido, base legal para construir argumentação e recursos financeiros do CODEFAT para tal. O que falta é vontade política de enfrentar o problema. E enquanto isso estes trabalhadores ficam à mercê do resultado de rifas e campanhas de arrecadação de alimentos.

IFBa pela democracia #luzianareitoria

Em dezembro de 2018 a professora Luzia Mota foi eleita reitora do IFBa em processo eleitoral legítimo e que não sofreu contestação. Só que até hoje a reitora eleita não foi empossada. E pelo andar da carruagem esta nomeação não sai pela via do reconhecimento dos “direitos”. Desnecessário, me parece, explicar as razões.

Acompanhamos situação semelhante na UFRB. Revertida pela pressão da sociedade. Mas no IFBa temos um agravante : a atuação do reitor pró-tempore. Enquanto na UFRB o reitor que saía somou-se aos eleitos e exigiu a posse ameaçando criar um impasse administrativo no IFBa o professor Renato, que concorreu e foi fragorosamente derrotado, apega-se ao cargo mesmo após o fim do mandato. E continua a gestão em consonância com as diretrizes de Bolsonaro e recusando-se a convocar as instâncias de gestão do instituto. Pasmem mais ainda : o professor Renato tem um histórico de esquerda no movimento sindical tendo a sua carreira na gestão do IFBa construída pelo voto da comunidade acadêmica a quem agora ele vira as costas.

Pois bem: mais um ataque à democracia que afeta não apenas o IFBa mas a toda a sociedade. Secundarizar este ataque fragiliza a resistência e abre espaço para novos ataques.

Portanto a palavra de ordem (ou hashtag para os adeptos das redes sociais) #luzianereitoria deve ser abraçada por toda a sociedade e incorporada na agenda da resistência.

Balanço da reforma trabalhista – TV GGN

Vídeos de fácil compreensão, ideal para atividades formativas :

Por um plano de ação para a CUT Ba #004 – dialogar com as organizações sociais da agricultura familiar

A ascensão dos governos liderados pelos partidos de esquerda, no Brasil e na Bahia, levou os sindicatos de agricultores familiares a secundarizarem s sua ação essencialmente sindical, no sentido de avançar na pauta dos seus representados. Limitaram-se a organizar e assegurar o acesso do seu público às políticas públicas, ampliadas em larga escala por estes governos.

Atitude compreensível uma vez que estas iniciativas governamentais foram resultado de anos de lutas e conflitos. Mas teve um efeito negativo : produziu uma geração de lideranças que não vivenciaram o enfrentamento e as contradições de classe. Esta lacuna ficou perceptível quando do golpe de 2016 e do atual desmonte destas mesmas políticas, operados sem resistência significativa.

Em contrapartida novos movimentos ocuparam este espaço, com uma perspectiva de ampliação da agenda sem contudo disputar espaço com os atuais sindicatos. Surgem também redes de agroecologia que cada vez mais assume uma posição política e de representação da sua base social construindo aos poucos uma agenda de atividades e uma pauta de reivindicações.

Exemplos : temos duas redes agroecológicas com atuação em todo o estado e que neste 2019 realizaram atividades de abrangência estadual culminando com resoluções que caberiam tranquilamente na agenda cutista.

Estes novos movimentos tem uma aproximação ideológica com a CUT atuando em alguns momentos em parceria com sindicatos cutistas. Cabe à nova gestão da CUT propor e conduzir uma agenda regular de debates na perspectiva construir uma agenda comum e orientar os seus sindicatos a participarem das atividades destes movimentos e coletivos tomando o devido cuidado de evitar posturas hegemonistas.

Blog no WordPress.com.

Acima ↑