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TRAMPO Trabalho e economia solidária

notícias e reflexões sobre o mundo do trabalho e economia solidária

EM DEFESA DO EMPREGO, DA EDUCAÇÃO E DA DEMOCRACIA

18 de Março – Dia Nacional de Luta

EM DEFESA DO EMPREGO, DA EDUCAÇÃO E DA DEMOCRACIA

9H – NO CAMPO GRANDE

Bolsonaro está a frente de um movimento para destruir nossa recente democracia. Depois do fracasso de um ano de governo, marcado pelo desemprego em massa, pelo alastramento da miséria, da violência e da corrupção, o miliciano quer agora a volta da ditadura.

A tentativa de impedir o funcionamento da imprensa, do judiciário e do parlamento tem como objetivo dar carta branca ao presidente para que ele intensifique a destruição do país sem qualquer obstáculo. Assim, o golpista que pôs fim ao direito à aposentadoria, pretende acabar com a educação e a saúde públicas, com o que resta de direitos trabalhistas e com as reservas indígenas, e ao mesmo tempo, entregar nossas estatais estratégicas para as multinacionais. Teríamos então, um estado fascista, onde as milícias ligadas a ele e aos filhos, teriam liberdade plena para cometer crimes impunemente. Não aceitaremos.

Vamos tomar as ruas para lutar pelo direito à liberdade, pelo direito ao emprego e à educação de qualidade.

DITADURA NUNCA MAIS

Centrais Sindicais / Frente Brasil Popular

A inserção das mulheres no mercado de trabalho

mulheres brasil

mulheres nordeste

Para acessar o arquivo integral com todas as regiões do Brasil clique em https://docdro.id/vGGLZJy

“Você não estava aqui” : um filme necessário sobre o mundo do trabalho contemporâneo

Se os movimentos sociais não conseguem colocar as mazelas do mundo do trabalho no centro da agenda mundial o cinema bem que vem tentando. Depois de “Parasitas” (ver post anterior) ganhar o Oscar de Melhor Filme, entra em cartaz em Salvador a mais recente obra dirigida por Ken Loach, “Voce Não Estava Aqui“.

Com um roteiro sem firulas o filme trata do cotidiano de um operário inglês que acredita que trabalhar por conta própria resolverá para sempre as suas dificuldades financeiras. Logo no primeiro dia aprende que o centro de sua vida passa a ser o “aparelho”, um “gadget” que funciona como scanner das encomendas a serem entregues, organiza o roteiro de entregas, rastreia o seu percurso e a sua performance.

A partir daí a sua vida pessoal se desorganiza pois para conseguir uma remuneração razoável a jornada de trabalho cada vez mais aumenta e torna-se mais intensa afastando-o do cotidiano familiar.

Fico por aqui para não dar “spoiler” e deixo uma observação que me marcou: em momento algum o sindicato aparece como alternativa para a solução dos problemas.

Como não sou um crítico de cinema deixo dois textos para leitura sobre o filme. Mas vale a pena tentar assistir.

Ken Loach desnuda os sentidos do trabalho – http://bit.ly/3clTmi4

“Nosso filme olha para o caos da vida dominada pela tecnologia. É sobre essa falsa ilusão de liberdade” – http://bit.ly/2VzZdue

O abandono dos ambulantes no carnaval de Salvador e uma utilidade para o Odorico

Carnaval indo embora, Bolsonaro tensionando mais uma vez a nossa democracia e tento escrever algo sobre a lamentável situação a que são relegados os vendedores ambulantes no carnaval de Salvador. Falo dos ambulantes por conta de alguns textos na imprensa soteropolitana mas quase todos os que trabalham no carnaval o fazem em condições sub humanas. E sob o nosso olhar complacente.

Como moro próximo ao circuito do carnaval, acompanho de perto o problema. Que, inclusive, já foi mais dramático. No Canela e entrada do Garcia a quantidade de vendedores de cerveja diminui a cada ano. Enquanto trios e blocos passam fica a impressão que o problema é minimizado: é a tal da invisibilidade do trabalhador de apoio à festa. Nossos olhos estão voltados para os artistas e, eventualmente, para a PM já que ninguém quer “receber a galinha pulando”.

Mas quando a festa acaba a situação é muito triste : pessoas dormindo amontoadas, dias sem tomar banho, dentes escovados junto ao meio-fio, sono reduzido pra não perder o momento da passagem do caminhão do gelo e da cerveja.

Solução : a estruturação de uma base de apoio onde estes trabalhadores pudessem recobrar as energias, fazer uma refeição sentado numa mesa e cuidar da higiene pessoal. O antigo colégio Odorico Tavares seria o espaço ideal pela amplitude e pela localização estratégica em relação a todos os circuitos da folia. Por óbvio excluam Pelourinho e Nordeste de Amaralina. Esta facilidade logística levou o “Odorico” a funcionar como base de apoio dos serviços de saúde e de segurança pública até porque a saída pelo Vale do Canela facilita a movimentação.

E no restante do ano : funcionaria muito bem como um centro de educação profissional para formar mão de obra para a “economia da festa”. Que não se resume só ao carnaval; temos os ensaios de verão, forró pré São João, festas de largo, final de ano, paredões nos bairros, Salvador Fest, República do Reggae e festas menores.

Enfim, tratar a “economia da festa” como política pública voltada para a geração de trabalho e renda com condições de trabalho dignas e inclusão social. E não como, usando a expressão popular, um “cacete armado”. Afinal queremos o conforto dos camarotes para todos, principalmente para os que vivem do trabalho. E que o “trabalho decente” seja bem mais do que tema de propaganda oficial.

O parasitismo neoliberal e o ódio ao servidor público – por Graça Druck

A ânsia por consumir novidades é uma marca do tempo em que vivemos. Digo isto por parecer que já vai longe o dia em que o Ministro da Economia do Governo Bolsonaro chamou os servidores públicos de “parasitas”. E não lemos com a devida capacidade reflexiva o texto da Profa. Graça Druck publicado no site Bocão News. Segue o texto :

Na última semana, o representante mor do fundamentalismo neoliberal do governo Bolsonaro, ministro Paulo Guedes – sob investigação do Tribunal de Contas da União, por suspeita de fraudes nos fundos públicos de empresas estatais –  chamou os funcionários públicos de “parasitas” e, irresponsavelmente, lançou um conjunto de mentiras para justificar seu ódio ao funcionalismo. 

Isso ocorreu em discurso para defender e justificar as reformas do Estado propostas pelo governo, e que já estão no Congresso Nacional, através de emendas constitucionais que radicalizam a Emenda Constitucional 95, aprovada no Governo Temer, que congelou os gastos sociais por 20 anos, e acrescentam transformações essenciais na máquina pública, na definição dos recursos orçamentários, reduzindo drasticamente as políticas sociais, criando um caos na educação e comprometendo gravemente a saúde pública, colocando em xeque a existência do SUS.

Trata-se de reformas que pretendem devastar as já frágeis políticas públicas no país, em nome de uma crise fiscal permanente do Estado brasileiro e que tem justificado um ajuste fiscal também permanente. E a aplicação desse ajuste fiscal se traduz na redução do número de funcionários públicos, através da suspensão de concursos, da quebra da estabilidade, da redução dos salários e da terceirização sem limites, reduzindo drasticamente a disponibilidade de serviços públicos à maioria da população brasileira, que necessita desses serviços, como condição de sobrevivência, especialmente na saúde e educação. 

O funcionalismo público sofre hoje um assédio moral institucional, governamental e da grande mídia, que diariamente divulgam ou distorcem informações, para desqualificar e desmoralizar esses profissionais, destituindo-os da sua natureza fundamental, que é a de serem os agentes que executam e garantem o atendimento público em todas as áreas sociais. Sem eles, ou com um contingente cada vez mais reduzido, fica impraticável manter serviços para uma população de 210 milhões de pessoas. 

Por isso, é fundamental destacar algumas informações, com base em fontes oficiais, do próprio governo e outras instituições credenciadas, para fazer frente a essa verdadeira campanha de difamação orquestrada pelo atual governo, como expressa no discurso do ministro da economia, cuja repercussão fez com que o ministério tirasse uma nota tentando aliviar as declarações irresponsáveis do seu titular.

Difunde-se a afirmação que o Estado brasileiro arrecada muito, é muito grande e inchado. Ou seja, que tem muito funcionário. Dados divulgados pela OCDE, utilizados pelo Banco Mundial em documento encomendado pelo governo brasileiro Gestão de pessoas e folha de pagamentos no setor público brasileiro: o que dizem os dados? , que defende as reformas do Estado, mostram em 2015, que a carga tributária no Brasil foi de 35,6% do PIB, enquanto que na OCDE foi de 42,4%.

A proporção de empregados no setor público em relação à total da população ocupada no Brasil é de 12% e na OCDE, 21,3%. Dado que levou o próprio Banco Mundial a reconhecer que o Brasil tem um “número modesto de funcionários públicos”. 

Conforme o Atlas do Estado Brasileiro, publicado pelo IPEA, o crescimento do número de funcionários é diferente para cada nível federativo. Entre 1995 e 2016, os federais aumentaram 25%, os estaduais cresceram 28% e os municipais 175%, decorrente da municipalização dos serviços públicos, especialmente, saúde, educação e assistência social e, também, do aumento do número de municípios.

É nos municípios que se concentra a maioria do funcionalismo, representando 57% do total em 2016, é também aí que a remuneração é a menor e que teve um crescimento acumulado de 41% entre 1986 e 2017; o funcionalismo estadual, que representa 33% obteve um aumento de 39%, enquanto que o federal, que corresponde a apenas 10%, teve aumento acumulado de 84% nestes 31 anos. Só a partir do Plano Real, julho de 1994 até dezembro de 2014, a inflação foi de 373,5%. A remuneração também varia muito, de acordo com os diferentes poderes – executivo, legislativo e judiciário. 

A despesa com pessoal em termos de proporção do PIB se manteve estável, era de 9,6% % em 2006 e passou a 10,5% em 2017. Ou seja, não houve nenhum descontrole de gastos.  

Ao se examinar a composição do orçamento federal executado em 2018, o governo gastou 41% (R$ 1,065 trilhão de reais) com o pagamento de juros e amortizações da dívida pública. Dívida essa que nunca foi auditada nos termos constitucionais. Já as áreas sociais, como educação, saúde, segurança pública, assistência social e transferências para estados e municípios somaram 21% do total, ou seja, metade do que o governo destina às instituições financeiras e bancos, conforme dados da Auditoria Cidadã da Dívida. 

O pacote de reformas denominado “Mais Brasil” pelo governo, constituído por três Propostas de Emendas Constitucionais (PEC 186,187 e 188) tem como fio condutor a redução das despesas públicas exclusivamente com as políticas sociais, subordinando o volume de recursos a serem aplicados na área social ao “equilíbrio fiscal intergeracional”, isto é, que garanta a “sustentabilidade” da dívida pública. Assim os direitos sociais não serão mais garantidos pela constituição, pois estarão submetidos aos gastos financeiros do Estado. 

Por isso, é importante o alerta do economista Eduardo Moreira, quando diz que “enquanto 12 milhões de servidores públicos recebem por volta de R$ 700 bilhões anuais, para educar, cuidar, limpar, julgar, estudar, pesquisar, etc, como pais, mães, avós e avos que sustentam outros milhões de brasileiros, o governo paga R$ 400 bilhões de juros da dívida anualmente, em troca de trabalho nenhum”.

Quem são os parasitas? O rentismo, a especulação financeira que se reverte em dívida pública, impondo um estado de exceção permanente, destruindo as frágeis políticas sociais, em nome de um fundamentalismo neoliberal, em que o mercado é erguido acima de tudo e de todos. E, para isso, o ódio àqueles que são os executores das políticas sociais – os funcionários públicos –  passa a pautar não só os discursos de membros do governo, mas as suas ações, impondo à maioria da sociedade que necessita cada vez mais dos serviços públicos, a sua privação, aumentando ainda mais a precarização da vida dos mais pobres.”

Graça Druck – Professora titular da Faculdade de Filosofia e C. Humanas/UFBA. Pesquisadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Humanidades (CRH/UFBA) e bolsista produtividade do CNPq, estudiosa da terceirização no setor público e privado. Autora do livro Terceirização (des)fordizando a fábrica (Boitempo/Edfuba) e co-organizadora do livro: A Perda da Razão Social do Trabalho: Terceirização e Precarização (Boitempo). Colaboradora do NEC/Faculdade de Economia/UFBA

Link para a publicação original – http://bit.ly/32c4dGB

CUT no Ar – o podcast da CUT DF

Falhei com os meus leitores não indicando um podcast na quinta da semana passada. Tento recuperar a credibilidade apresentando um podcast eminentemente sindical : o “CUT no Ar“, iniciativa da CUT DF.

Com quatro episódios no ar o programa é apresentado pelo Presidente da CUT DF, o professor Rodrigo Rodrigues. Vai ao ar sempre aos sábados e trata de temas bem afeitos ao cotidiano sindical. A produção parece ser amadora mas cumpre a tarefa de informar e oferecer rumo aos trabalhadores.

Ouça pelo Spotify clicando aqui ou no YouTube no canal da CUT DF . Aproveita e se inscreve no canal.

Boa audição e se você conhece um podcast legal avisa pra gente nos comentários ou no email denis@trampo.blog.br .

E por falar em parasitas …, assistam o filme Parasitas

Na semana em que o Ministro da Economia do governo Bolsonaro, o banqueiro Paulo Guedes, chamou os funcionários públicos de “parasitas” o filme coreano Parasitas disputa com chances de vitória o Oscar de Melhor Filme e Melhor Filme Internacional.

Na minha opinião de leigo nas artes cinematográficas é a melhor fábula sobre o mundo do trabalho nos dias de hoje; e de como o uso da internet é um mecanismo que ajuda nas estratégias de sobrevivência do proletariado jovem.

Mas o melhor é assistir e tirar suas próprias conclusões. Deixo a seguir dois textos publicados em sites de notícias e reflexões, sobre o filme :

Espero que assistam e deixem suas impressões nos comentários

Crédito ou Débito, o podcast do Reconta Aí

Pra não fugir do combinado: como hoje é quinta teremos postagem recomendando algum podcast.

Recomendamos o Crédito ou Débito, podcast do site Reconta Aí. O Reconta Aí é um site formado por economistas e comunicadores, com sede em Brasília, que tem como preocupação a defesa dos bancos públicos e explicar a economia de forma acessível.

O episódio mais recente traz a economista Regina Camargo explicando quem ganha com o neo liberalismo. Já está disponível no Spotify no link https://spoti.fi/2GGOjKd .

A página com os episódios anteriores não está completamente atualizada (sei muito bem o trabalho que dá) mas permite ter uma ideia do trabalho realizado. Acesse clicando aqui.

Feira Ninja – uma aproximação com e economia solidária ?

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