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Eleandro e seu carrinho de mingau

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Este é Eleandro (como o entrevistador não tem traquejo não perguntou o sobrenome), natural de Porto Seguro e está em Salvador há pouco mais de dois anos vendendo mingau. Acorda às quatro e vinte da manhã e pouco depois das cinco já está em frente à Clínica Biocheckup na esquina da rua Padre Feijó no bairro do Canela com seu carrinho de mingau e munguzá.

O carrinho de Eleandro é de seu irmão (também não perguntei o nome) que veio ganhar a vida em Salvador e conheceu uma mulher que vendia mingau e tinha um carrinho semelhante. Associou-se a ela e hoje possuem 9 carrinhos espalhados pelo centro de Salvador.

Começam a preparar o mingau e o munguzá às duas da manhã e pouco antes das cinco estão nas ruas de Salvador espremidos sobre uma pickup com uns bons anos de uso. O ponto de Eleandro é o último do roteiro; na Clínica Biocheckup ficam ele e mais dois vendedores de mingau: uma rapaz que se desloca até a frente da Reitoria da UFBa e uma moça que não identifiquei o ponto de venda. Às 11 horas fazem o trajeto inverso.

O mingau e o munguzá são comercializados em copos de 200, 300 e 500 ml. Experimentei o mingau de aveia e gostei. Pouco açúcar graças a Deus. Eleandro está satisfeito com a renda que consegue com o carrinho. Estuda à noite e pretende concluir o segundo grau em 2018. Não pensa em retornar para Porto Seguro pois não vê perspectiva de trabalho.

Oferta de mingau no Canela – por conta do Hospital das Clínicas e de uma profusão de clínicas das mais variadas especialidades o bairro de Canela possui uma vasta rede de oferta de mingau e lanches associados. No dia que conversei com Eleandro dei uma volta tendo como limite a parte do Campo Grande contígua ao Canela e contei sete pontos de vendas sendo dois tabuleiros e cinco carrinhos. Sempre próximos das clínicas com maior movimento ou nas vias de acesso no sentido de quem vem do Campo Grande. Vale salientar que uma padaria já oferece mingau e outros itens do café da manhã. É aguardar os movimentos da atividade econômica para verificar se esta oferta se sustenta ou será dizimada pela retração do público.

Pra encerrar – Eleandro é um usuário intensivo do Whatsapp; quando percebeu que estava em vias de ser fotografado guardou rapidamente o aparelho celular numa gaveta do carrinho.

Mapeando os “mingaus” de Salvador

Não sou um apaixonado por mingau. Mas vou passar a consumi-lo nesta nova empreitada: mapear os tabuleiros de mingau de Salvador (que pretensão) e não só os tabuleiros também os carrinhos que pululam pela cidade.

Não fiz uma pesquisa sobre origens e significados do mingau. Na medida que falte assunto preencherei com estas informações de natureza antropológica. Associo o mingau ao trabalho por duas razões: a primeira, óbvia, é o ganha-pão, normalmente de mulheres, que iniciam sua jornada de trabalho antes da madrugada e emendam com a jornada doméstica.

Mas também é a refeição dos que vivem do trabalho. Daqueles que saem de casa cedo sem fazer a primeira refeição e tomam um copo de mingau antes de entrar no trabalho. Rango barato e calórico o suficiente para assegurar energia necessária ao batente até o almoço. Observe que, em Salvador pelo menos, sempre tem um tabuleiro de mingau próximo a um canteiro de obra.

Ajuda também a mitigar a fome de quem trabalhou durante toda a noite, vigilantes e porteiros quase sempre, e passaram a jornada quase que literalmente a pão e água. Tomam um copo de mingau para dormir o sono dos justos quando chegar em casa ou para estar pronto para emendar com outra atividade remunerada.

A crescente e infindável busca por serviços públicos de qualidade, notadamente os serviços de saúde, fornece o outro segmento consumidor: cidadãos que madrugam em busca de atendimento em clínicas, serviços previdenciários ou de intermediação de mão-de-obra.

Ponto de referência para a ação sindical – quando dirigente do SINERGIA Bahia o tabuleiro de mingau situado nas instalações da COELBA em Porto Seco Pirajá era o ponto de referência para reuniões com os trabalhadores, principalmente em época de campanha salarial. Era lá que eles se reuniam para comer e conversar antes de se dirigir para o posto de trabalho. E os dirigentes ganhavam um cafézinho de cortesia pois estas reuniões garantiam um faturamento extra para a vendedora de mingau (não posso esquecer deste registro).

E começar por onde? começo pelo mingau de Nalva, localizado numa rua secundária da Av Centenário. Certo dia de sábado estava andando por lá e me chamou a atenção as pessoas em volta do tabuleiro. Rolou o insight e neste sábado (28/10) voltei lá para o registro. A Nalva ocupa o ponto fazem cinco anos e trabalha com uma filha. Para minha surpresa o mingau só é comercializado aos sábados por ser o dia de gratuidade de uma clínica neurológica e que atrai muita gente, alguns vindo de cidades distantes trazidos por carros das prefeituras. De terça a sexta o ponto transforma-se no acarajé da Nalva funcionando a partir das 14 horas.

E o mingau ? tomei um mingau de milho, R$3,00 o copo de 300 ml. Tinha também de tapioca e, como é de lei, outros quitutes associados ao desjejum local: bolo, pão e café. Como não tenho o hábito de consumir mingau não tenho também referências para avaliar com precisão. Mas gostei, talvez menos açucar fosse do agrado do meu paladar. Apareça lá também e conte sua história. Não aprendi a capturar o mapa com a localização para publicar neste post. Clique neste link, http://bit.ly/mingau_nalva, que voce chega lá.

E mande sugestões para o nosso mapeamento pelo email luizdenis@yahoo.com.br .

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