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Reflexões e sugestões sobre a paralização de 19/02 (2)

No post anterior (leia aqui) especulei sobre o interesse dos trabalhadores soteropolitanos no tema “reforma da previdência” a partir da sua inserção no mercado de trabalho. Pretendo agora trazer algumas reflexões sobre como ocupar o espaço público durante o dia 19 objetivando dar impacto e visibilidade ao combate à reforma da previdência.

Parte dos trabalhadores com vínculo formal é base de um sindicato atuante que estará nos locais de trabalho.

A outra parte trabalha de forma pulverizada pela cidade e, juntamente com desempregados e conta-própria, são atingidos pelas mobilizações no trajeto para as suas ocupações. Aí a reflexão se faz necessária: nas manifestações recentes o “miolo do Iguatemi”, mais precisamente as sinaleiras em frente ao Shopping tm sido o local de manifestações e retenção do trânsito, quando não da sua interrupção. Inicialmente o impacto de espraiava pela cidade atingindo a Pituba, Rótula do Abacaxi e Avenida Bonocô. A Transalvador, órgão que gerencia o fluxo de veículos na cidade vem atuando no sentido de desviar o trânsito deste local em dias de manifestação reduzindo o impacto sobre a mobilidade na cidade.

Ao mesmo tempo o recém inaugurado Metrô altera a forma como as pessoas se deslocam pela cidade o que deve obrigar o movimento sindical a rever suas estratégias. Até o momento não tenho percebido qualquer ação sindical junto aos trabalhadores metroviários. E os terminais de transbordo, que funcionam articulados com estações do metrô, passam a ter importância vital no fluxo de pessoas pela cidade.

Objetivando: acho que o centro das ações de mobilização devem se concentrar em pelo menos uma estação de transbordo. Preferencialmente a Estação Mussurunga e, caso haja contingente disponível, a Estação Pirajá. Não tem a visibilidade do Iguatemi mas tem um maior impacto no cidade.

E pela tarde ? é da tradição das manifestações populares em Salvador a realização de passeata à tarde saindo do Campo Grande indo até a Praça Castro Alves. Este trajeto tinha um significado: no Campo Grande ficava a Assembléia Legislativa do Estado da Bahia e na Praça Municipal, logo após a Praça Castro Alves, a sede do Governo do Estado, a Prefeitura e a Câmara Municipal de Salvador. Entre estes dois extremos tínhamos o comércio varejista, agências bancárias e consultórios médicos. No seu entorno tínhamos residências, teatros e cinemas. Enfim, toda a sociedade era impactada por atividades neste espaço.

Hoje a cidade é outra e uma nova tradição de espaço para manifestações deve ser construída. Insistir nas atividades saindo do Campo Grande não dialoga com a cidade e seus trabalhadores. Os próprios ativistas já não demonstram o entusiasmo de outrora. No início das jornadas contra o impeachment da Presidenta Dilma Roussef, a presença de grupos e coletivos juvenis levou algumas manifestações para a região da Av Tancredo Neves. Com a ausência destes retornamos ao Centro Antigo e a tentativa de construção de uma nova tradição ficou para trás.

Tomo a liberdade de sugerir que ela seja retomada.

Mapeando os “mingaus” de Salvador

Não sou um apaixonado por mingau. Mas vou passar a consumi-lo nesta nova empreitada: mapear os tabuleiros de mingau de Salvador (que pretensão) e não só os tabuleiros também os carrinhos que pululam pela cidade.

Não fiz uma pesquisa sobre origens e significados do mingau. Na medida que falte assunto preencherei com estas informações de natureza antropológica. Associo o mingau ao trabalho por duas razões: a primeira, óbvia, é o ganha-pão, normalmente de mulheres, que iniciam sua jornada de trabalho antes da madrugada e emendam com a jornada doméstica.

Mas também é a refeição dos que vivem do trabalho. Daqueles que saem de casa cedo sem fazer a primeira refeição e tomam um copo de mingau antes de entrar no trabalho. Rango barato e calórico o suficiente para assegurar energia necessária ao batente até o almoço. Observe que, em Salvador pelo menos, sempre tem um tabuleiro de mingau próximo a um canteiro de obra.

Ajuda também a mitigar a fome de quem trabalhou durante toda a noite, vigilantes e porteiros quase sempre, e passaram a jornada quase que literalmente a pão e água. Tomam um copo de mingau para dormir o sono dos justos quando chegar em casa ou para estar pronto para emendar com outra atividade remunerada.

A crescente e infindável busca por serviços públicos de qualidade, notadamente os serviços de saúde, fornece o outro segmento consumidor: cidadãos que madrugam em busca de atendimento em clínicas, serviços previdenciários ou de intermediação de mão-de-obra.

Ponto de referência para a ação sindical – quando dirigente do SINERGIA Bahia o tabuleiro de mingau situado nas instalações da COELBA em Porto Seco Pirajá era o ponto de referência para reuniões com os trabalhadores, principalmente em época de campanha salarial. Era lá que eles se reuniam para comer e conversar antes de se dirigir para o posto de trabalho. E os dirigentes ganhavam um cafézinho de cortesia pois estas reuniões garantiam um faturamento extra para a vendedora de mingau (não posso esquecer deste registro).

E começar por onde? começo pelo mingau de Nalva, localizado numa rua secundária da Av Centenário. Certo dia de sábado estava andando por lá e me chamou a atenção as pessoas em volta do tabuleiro. Rolou o insight e neste sábado (28/10) voltei lá para o registro. A Nalva ocupa o ponto fazem cinco anos e trabalha com uma filha. Para minha surpresa o mingau só é comercializado aos sábados por ser o dia de gratuidade de uma clínica neurológica e que atrai muita gente, alguns vindo de cidades distantes trazidos por carros das prefeituras. De terça a sexta o ponto transforma-se no acarajé da Nalva funcionando a partir das 14 horas.

E o mingau ? tomei um mingau de milho, R$3,00 o copo de 300 ml. Tinha também de tapioca e, como é de lei, outros quitutes associados ao desjejum local: bolo, pão e café. Como não tenho o hábito de consumir mingau não tenho também referências para avaliar com precisão. Mas gostei, talvez menos açucar fosse do agrado do meu paladar. Apareça lá também e conte sua história. Não aprendi a capturar o mapa com a localização para publicar neste post. Clique neste link, http://bit.ly/mingau_nalva, que voce chega lá.

E mande sugestões para o nosso mapeamento pelo email luizdenis@yahoo.com.br .

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