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TRAMPO Trabalho e economia solidária

notícias e reflexões sobre o mundo do trabalho e economia solidária

Autor

Denis Soares

ativista do mundo do trabalho, funcionário público, torcedor do Vitória e apaixonado por futebol

Ano Novo ; aprofundar a agenda do ano velho

Cá estamos na primeira semana de 2021 ainda sob o signo do recesso das festas de final de ano mas urge pensar sobre a agenda do ano que se inicia. A pandemia colocou dois temas na agenda mundial : a necessidade de regulamentação do trabalho baseado em plataforma e a também necessidade de um programa de renda mínima.

Dois temas espinhosos num país que desmontou toda a sua estrutura e marco regulatório das relações de trabalho e que enfrenta dificuldades fiscais para manter um auxílio emergencial precário por absoluta falta de vontade política de implementar ações de taxação dos muito ricos.

Vamos nos deter no primeiro tema : o trabalho baseado em plataformas consolidou-se para além das exigências de quarentena. Consumo de bens e serviços mostraram-se viáveis economicamente dispensando os contatos presenciais. A pandemia acelerou uma tendência em curso beneficiando-se da oferta de base tecnológica a baixo custo, da oferta de mão de obra a baixíssimo custo consequência do desemprego e da desregulamentação das relações de trabalho. Produtos da agricultura familiar até ontem encontrados apenas em feiras livres no interior do estado são comprados através de aplicativos que “rodam” em telefones celulares.

Fica o enorme desafio de organizar sindicalmente os trabalhadores envolvidos nestes circuitos. Por se tratar de situação recente e sem precedentes na nossa história, principalmente pelo contingente de trabalhadores envolvidos, o movimento sindical não dispõe de “tecnologia social” para tal desafio. Os trabalhadores envolvidos enfrentam uma dificuldade adicional : a necessidade de concorrência entre eles e o enfrentamento dos algoritmos, um inimigo invisível (vamos tratar desta questão em outro post).

Para entender estas questões, como elas se manifestam em diferentes regiões do mundo e quais as formas de organização dos trabalhadores que surgem é que começam a aparecer articulações entre grupos de pesquisa em universidades, ONGs dedicadas ao combate às desigualdades e entidades sindicais.

Fairwork

Uma delas é a FairWork que no momento tem trabalhos publicados no seu site sobre a situação do trabalho em plataformas (também denominado “gig economy”) na África do Sul, Alemanha e Índia. Neste ano de 2021 estão previstas atividades e estudos em outros países, Brasil incluído.

Aqui no Brasil as ações provavelmente ficarão sediadas na UniSinos, na cidade de Santa Maria no Rio Grande do Sul, mais precisamente no Laboratório de Pesquisa Digital DigiLabour. Visite o site do laboratório pois existe um vasto conteúdo disponível a assine a newsletter que á a mais completa sobre o assunto aqui no Brasil.

Recomendo também a leitura de tradução de texto da equipe do FairWork publicada no site Carta Maior : O poder infraestrutural do capitalismo de plataforma . Lá também encontram-se links para outras referências no assunto.

Ao longo desta ano vamos comentando sobre outras iniciativas. Sempre que possível vale a visita ao site Outras Palavras e à revista Jacobin Brasil

Inovar sindicalmente para reindustrializar o Brasil

Clemente Ganz Lucio

A indústria tem sofrido regressão e desestruturação de cadeias produtivas, com efeitos dramáticos sobre médias, pequenas e micro empresas de todos os setores. Para tentar reverter o processo, trabalhadores estão criando a IndustriALL Brasil

As empresas mobilizam transformações tecnológicas e patrimoniais que promovem profundas mudanças no mundo do trabalho, com impactos nos empregos, nas formas de contratação, na composição da jornada de trabalho, nas formas de remuneração, assim como com reflexos diversos sobre as condições de trabalho e sobre a saúde do/a trabalhador/a.

Essas mudanças colocam na agenda sindical o desafio de elaborar novas estratégias de organização e de mobilização que sejam capazes de ser uma resposta eficaz às iniciativas do capital que buscam reduzir o custo do trabalho, flexibilizar as regras para contratar e demitir, e que acabam desempregando, produzindo precarização e gerando insegurança.

Ao mesmo tempo, o movimento sindical brasileiro, por meio do Fórum das Centrais Sindicais, tem colocado como prioridade a elaboração de um projeto nacional de desenvolvimento, capaz de orientar a estratégia do país em conduzir o crescimento econômico social e ambientalmente sustentável.

Um projeto e uma estratégia de desenvolvimento nacional exigem uma abordagem inovadora para o progresso de todo o sistema produtivo.

Isso se coloca como essencial porque, há três décadas, a indústria sofre um processo de violenta regressão e desestruturação de cadeias produtivas da manufatura e de elos estratégicos com o sistema produtivo, com efeitos dramáticos sobre médias, pequenas e micro empresas de todos os setores. No início da década de 80 a indústria representava mais de 30% do fluxo de produção econômica no Brasil. A regressão, predominantemente continuada, reduziu essa participação para pouco mais de 10%.

Considera-se que o desenvolvimento industrial é a base para o incremento da produtividade em toda a economia, seja pela capacidade de espraiar inovações tecnológicas, por produzir e demandar insumos e serviços mais sofisticados e com maior valor agregado, seja por requerer e demandar melhor qualificação profissional e mobilizar investimentos em pesquisa, tecnologia e inovação. Enfim, todo o sistema produtivo avança virtuosamente com o desenvolvimento industrial.

A sofisticação do sistema produtivo gera empregos de melhor qualidade, capacidade para aumentar os salários e a renda média da sociedade, condições para reduzir a informalidade e aumentar a proteção social e laboral, vetores essenciais para acabar com a miséria e pobreza, superar as desigualdades, difundir competências e recursos para que as comunidades sejam protagonistas do desenvolvimento local.

Conscientes das mazelas da desindustrialização e das virtudes de um projeto nacional de desenvolvimento orientado pela estratégia da reindustrialização do parque produtivo brasileiro, as entidades sindicais de trabalhadores da base industrial, filiadas à CUT – Central Única dos Trabalhadores e à Força Sindical, decidiram criar a IndustriALL Brasil, uma iniciativa inspirada na IndustriALL Global Union, organização mundial dos trabalhadores na indústria.

A IndustriALL Brasil reúne as organizações sindicais dos ramos metalúrgicos, químicos, têxtil e vestuário, alimentação, construção civil e energia, que agregam a representação de 10 milhões de trabalhadores/as. A estratégia articulará a participação das demais entidades sindicais nesse projeto, ampliando o campo de unidade e a base de cooperação sindical, visando a atingir os 18 milhões de trabalhadores/as que estão na base industrial no país.

O objetivo dessa iniciativa inovadora é investir na elaboração de propostas para um projeto de reindustrialização, a partir de pesquisas e diagnósticos precisos e da elaboração de conteúdos propositivos inovadores, cooperando com universidades, institutos de pesquisa e pesquisadores, bem como articulando iniciativas políticas junto aos empresários, governos, Poder Legislativo e organizações e organismos internacionais.

A nossa tarefa é transformar os problemas em desafios, sobre os quais incidam iniciativas capazes de alçar novo padrão de desenvolvimento. Recuperar e preservar o meio ambiente, enfrentar e reverter o aquecimento global, proteger a saúde coletiva, recuperar e adequar a infraestrutura produtiva e social, investir no espaço e serviços urbanos, entre tantos outros, são problemas que devem ser colocados como desafios e, como tal, serem tratados como oportunidades para estruturar um projeto de reindustrialização com grande e favorável impacto para sustentar o crescimento econômico, incrementar a produtividade geral, criar bons empregos, favorecer o aumento da renda média e ampliar o poder do mercado interno de consumo sustentar uma dinâmica virtuosa de crescimento econômico.

Publicado originalmente no site Brasil Debate em 09/12/20

Livro mostra como empreendimentos sustentaram famílias durante a pandemia

UNISOL Brasil lança livro sobre ações de empreendimentos solidários neste 2020

Reproduzo o texto de release distribuído pela UNISOL Brasil e convido-os a acompanhar o lançamento e ler o livro :

Alternativas para obter trabalho e renda e ajudar ao próximo nessa época de quarentena e de crise econômica. Esse é o tema do livro Respostas das cooperativas e da economia solidária frente à crise social, econômica e sanitária da COVID-19 no Brasil, que será lançado pela Unisol em parceria com a Amater Cooperativa no dia 15/12 (terça-feira), às 18h.

O evento marca o Dia Nacional da Economia Solidária, celebrado neste mesmo 15/12, e ainda remete ao Dia Internacional de Direitos Humanos, comemorado em 10/12. Para lançar a obra, a Unisol e a Amater organizaram uma Live na qual os representantes de nove empreendimentos contarão seus relatos de como as famílias cooperadas conseguiram se manter durante esta pandemia.

Segundo o presidente da Unisol, Léo Pinho, um dos objetivos da Live, assim como do livro, é estimular a população a se organizar em torno de empreendimentos de economia solidária de forma a superarem a crise econômica. “Os relatos destas nove cooperativas devem servir de base para que outras iniciativas prosperem sabendo que podem contar com a assessoria de entidades como a Unisol e a Amater”, disse.

Dois princípios da Unisol serviram de conceitos na elaboração do livro. “A intercooperação e a solidariedade são dois polos a partir dos quais os empreendimentos se formam e se consolidam”, afirmou Pinho. A própria concepção da obra seguiu esses princípios – ela foi editada e diagramada pela Coopacesso, uma editora cooperativa que, portanto, funciona conforme a lógica da economia solidária.

A Live inteira deverá ter uma hora de duração e é destinada ao público em geral, em particular a pessoas, grupos ou famílias que estejam com dificuldade de lançar seus pequenos empreendimentos.

O livro, em seu formato eletrônico, estará disponível para download gratuito, primeiro para os que assistirem à Live – na qual será anunciado o link de acesso – e, depois de 24 horas, para o público em geral.”

Análise de Conjutura #019 – 30 nov a 06 dez 2020 – por J. S. Gabrielli

Segue em anexo o mais recente boletim semanal; com algum atraso mas ainda em tempo.

Receba no seu email

Se você não quer esperar pela nossa publicação envie uma mensagem para o endereço eletrônico jsgazevedo@gmail.com informando que deseja receber o boletim. E toda segunda pela manhã ele estará na sua caixa postal. Segue o boletim….boa leitura

Banco de imagens gratuitas para usar nas suas postagens

É certo que o CANVA e o Adobe Spark Post disponibilizam templates com imagens bem legais. Mas chega um momento em que é necessário algo com uma pegada mais criativa e um viés mais profissional. Nesta hora alguns sites disponibilizam bancos de imagens que nos livram do sufoco. Vale ficar atento às exigências, quando houverem de citar fontes e dar os devidos créditos.

Se jogue, experimente pois todos tem potencialidades e insuficiências. Vai depender da sua necessidade no momento

PIXABAY

UNPLASH

FREEPIK

Então…é só clicar e experimentar. E conte nos comentários a sua experiência e outros bancos de imagens que você usa ou conhece.

Sindicalistas eleitos – atualizando os dados

No dia 3 de dezembro publiquei o post “Quem são os vereadores do movimento sindical baiano ?” com o objetivo de mapear os sindicalistas que tiveram sucesso nas urnas. Apresentei o nome daqueles mais conhecidos e fiquei na expectativa do surgimento de nomes que desconheço. Três nomes se apresentaram :

  • Derlan Queiroz – dirigente do SindAlimentação, ex dirigente da CUT Ba elegeu-se vereador na cidade de Governador Mangabeira pelo PP;
  • Bô Caires – dirigente do STR de Barra da Estiva elegeu-se vereador pelo PP;
  • Márcio Lago – presidente do SINTRAF de Manoel Vitorino elegeu-se vereador pelo PDT;
  • Valdimar do Sindicato – vereador também pelo PDT de Manoel Vitorino e ativista do SINTRAF local.

Na medida em que novos nomes sejam informados estaremos atualizando a relação.

A FEBAFES e as oportunidades para o cooperativismo de plataforma

O Governo da Bahia através da SDR/CAR realiza até o dia 13 de dezembro a 11 Feira Baiana de Agricultura Familiar e Economia Solidária. Por óbvio a Feira é realizada de forma on line mantendo o mesmo volume de atividades dos anos anteriores e possibilitando a participação de pessoas que normalmente não se deslocariam até Salvador.

E onde está a oportunidade ?

A parte da comercialização também se dá através de uma plataforma administrada por uma empresa, ESCOAF, e a logística de distribuição fica por conta do Governo do Estado. Ressalte-se que as vendas limitam-se à cidade de Salvador por conta da estrutura de logística demandada.

A empresa que cuida da comercialização tem o mesmo “modus operandis” das empresas de plataforma tipo UBER, IFOOD ou AIRBNB : usam de uma estrutura tecnológica que aproxima produtores, consumidores, meios de pagamento e logística de distribuição. Como é uma empresa nova e tocada por jovens ela angaria simpatia e o apelido “startup” coloca uma aura de modernidade numa atividade econômica secular : as feiras livres.

Bem….não esqueçamos que UBER, IFOOD e AIRBNB começaram com as iniciativas de jovens simpáticos.

Ao encerrar esta FEBAFES a ESCOAF terá em suas mãos um patrimônio valioso para as grandes empresas do capitalismo de plataforma: os dados desta cadeia de consumo. Quem produz, onde, qual a capacidade de produção; quem consome, o que consome, com qual volume, como paga e como os produtos são entregues. Este banco de dados tende a ser alimentado após a feira (o problema é a logística) e no médio prazo despertará a cobiça das grandes empresas : IFOOD, UBEREATS, 99entregas e outras tantas. Que ofertarão aos donos da ESCOAF uma proposta de compra irrecusável.

É assim que este mercado funciona caso não haja uma intervenção dos trabalhadores organizados. Não se trata de destruir estas empresas pois nas atuais circunstâncias elas tem um papel a desempenhar. Mas apropriar-se coletivamente deste aparato organizacional através da constituição de redes de cooperativas baseadas na tecnologia: cooperativas de software livres desenvolvem plataformas para cooperativas de produtores que se associam a cooperativas de entregadores.

Claro que alguns elos desta corrente precisam sem construídos. Existe a necessidade de computadores públicos para armazenamento destes dados. Mas estes computadores existem em centros de pesquisas ou universidades públicas.

Enfim, utilizar os princípios da economia solidária para avançar na auto organização dos trabalhadores num mundo mais sofisticado e com uso intensivo de tecnologia. Alguns exemplos existem em fase experimental na Europa e no site da Fundação Friedrich-Ebert-Stiftung encontramos textos, reportagens e seminários sobre o tema. Muita informação também está disponível no site do projeto DIGILABOUR da Unisinos. Neste site voce encontra um artigo específico sobre quem pesquisa o tema “cooperativismo de plataforma”.

Por fim deixo o link para download do livro “Cooperativismo de Plataforma, editado no Brasil pela Autonomia Literária.

Análise de Conjutura #018 – 23 a 29 nov 2020 – por J. S. Gabrielli

Segue em anexo o mais recente boletim semanal; com algum atraso mas ainda em tempo.

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Se você não quer esperar pela nossa publicação envie uma mensagem para o endereço eletrônico jsgazevedo@gmail.com informando que deseja receber o boletim. E toda segunda pela manhã ele estará na sua caixa postal. Segue o boletim….boa leitura

Quem são os vereadores do movimento sindical baiano ?

O título deste post está sob a forma de indagação porque as informações são imprecisas, pelo menos para este blogueiro. Não tem a menor intenção, até o momento, de questionar algo. Mas tenho a percepção de que a quantidade de dirigentes ou ativistas sindicais bem sucedido nas urnas diminuiu nestas eleições.

Então pra início de conversa peço aos leitores deste blog que me informem nome e categoria de origem dos eleitos que sejam do seu conhecimento.

Aqui em Salvador temos dois sindicalistas que renovaram o mandato : Luis Carlos Suíca (PT e oriundo do Sindlimp) e Hélio Ferreira (Rodoviários, pelo PCdoB). E dois novos nomes : Tiago Ferreira, PT, rodoviário e dirigente da CUT Ba e Augusto Vasconcelos, PCdoB, Sindicato dos Bancários.

Em Camacari temos o Dentinho do Sindicato (PT e Sindquímica) e em Ilhéus temos a profa Enilda (professores, PT) e Augustão (Sindcacau, PT).

Estes são os nomes que tenho conhecimento na área urbana.

E o movimento sindical rural ?

Rê do Sindicato e Rene do Sindicato em Senhor do Bonfim e Conceição do Coité, respectivamente. E a Edneide Pereira em Araci. Certamente temos mais nomes vinculados ao movimento sindical rural mas não tenho conhecimento. Espero atualizar em breve.

E temos uma vice-prefeita

Sim, a companheira Marlene Ferreira, Secretaria de Formação da CUT Ba e dirigente do STR de Conceição da Feira elegeu-se vice prefeita da sua cidade pela REDE.

Quem falta nesta lista ?

Conhece algum sindicalista eleito que não está entre o citados acima ? Manda o nome, cidade e categoria que vamos atualizando.

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