Um amigo que não mais está entre nós, Orlando Miranda, sempre repetia nos debates que antecediam a tomada de decisão em campanhas salariais no SINERGIA Ba que não existem formas de luta adequadas a priori. Cada conjuntura requer uma forma de luta específica. Portanto a análise profunda e exaustiva de cenários e estado de ânimo das categorias é que devem determinar a forma de luta para cada momento.

Vejo que os sindicatos dos trabalhadores do setor da seguridade social conduzem uma greve na previdência pública, INSS mais precisamente, a mais de 20 dias. Greve que conta com boa adesão dos trabalhadores mas não consegue abrir espaços de negociação com o Governo Federal.

Governo este que não tem o menor compromisso com a coisa pública. Muito pelo contrário : aposta na continuidade da greve e no caos nos serviços correlatos com o objetivo de descredibilizar o serviço público pavimentando o espaço para que a previdência privada amplie o seu mercado.

A população usuária dos serviços por sua vez pouco se manifesta pois de há muito não conta com uma prestação de serviço de qualidade por conta do sucateamento da máquina pública. Portanto me parece que uma greve tradicional neste momento é pouco eficaz.

Que fazer então ?

Trago para a reflexão a iniciativa de, ao invés de paralisar, ampliar a prestação de serviços com a realização de mutirões de atendimento sob o comando dos trabalhadores. Incluindo inclusive os finais de semana.

Nestes mutirões os sindicatos envolvidos organizariam espaços de diálogo com o público usuário mostrando efetivamente quem está a favor da prestação de um serviço de qualidade e quem está contra. Poderia trazer para estes espaços sindicatos outros que lutam também contra o desmonte dos serviços públicos. Além de pautar a imprensa a partir do ineditismo da iniciativa.

Enfim: em momentos de crise não vamos, por óbvio, renegar o passado mas precisamos inventar o futuro.