No recente 9 de fevereiro entrevistei o Fernando Lopes, dirigente metalúrgico. Separei alguns trechos da conversa por entender que têm grande importância para o momento em que vivemos.

Ao fim dos destaques pode-se assistir a íntegra da entrevista disponível no YouTube.

“…a reforma neoliberal trabalhista na Espanha foi em 2012 e eles conseguiram reverter parcialmente os danos dessa reforma em 2022, portanto 10 anos para poder recuperar um pouco do que tinham de até 2012, antes da Reforma. Então é importante ter isso claro, pois muitos dirigentes sindicais, companheiros e companheiras pensam que elegendo Lula à Presidência, no dia seguinte os problemas estarão resolvidos para os sindicatos; mas a verdade é que na pratica é bem diferente”

” …uma lição para todos nós, eles recuperaram o governo que estava na mão do PP (Partido Popular, da direita espanhola), para o PS (Partido Socialista) que retomou o poder, e fez amaioria do Congresso. Com isso ficou habilitado para constituir o Governo, o parlamento elege o Primeiro Ministro, e o Primeiro Ministro através de um pacto de maioria monta o Governo e seus Ministérios. O PS (Partido Socialista) não tinha votos suficientes para montar um Governo, e para isso foi necessária uma negociação com a esquerda, diga-se o “Podemos” e a “Esquerda Unida” para se articularem numa federação. Estamos enfrentando esse debate aqui e lá Esquerda Unida fez uma federação chamada, “Unida Podemos” que deu uns votinhos dos parlamentares que eles tinham, para garantir maioria no governo do PS (Partido Socialista) do Pedro Sanches que é o Primeiro Ministro e tem 95% dos ministérios, mas essa tração,  essa federação de esquerda “Unida Podemos” tem também seu peso, e com isso conseguiu indicar a Ministra do Trabalho, vinculada ao movimento Sindical e às Comissões Obreras, uma das maiores centrais sindicais espanholas.”

“… pela experiência que aprendemos na Espanha, é fundamental ter maioria no congresso, isso pra gente é uma lição importante, porque teremos eleição agora e não adianta somente eleger o Lula, se não temos a eleição de uma bancada forte e de esquerda, claro que as alianças com a centro esquerda e com setores da direita é importante, mas se não tiver uma bancada forte de centro esquerda, nada acontece.”

“… o Governo Lula no finalzinho conseguiu no máximo aprovar o reconhecimento das centrais sindicais e a distribuição do Imposto Sindical, também para as centrais. Foi só o que se logrou êxito,  pois todos os avanços conceituais e teóricos do Fórum Nacional do Trabalho, não tiveram votos no Congresso.”