Próxima quarta, 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, boa presença do movimento sindical na construção de uma nova cultura de convivência que supere o racismo mas se olhamos o mercado de trabalho as diferenças permanecem principalmente quando observa-se o fator renda e posição no mercado de trabalho. Para uma leitura mais detida recomendo o estudo do IBGE “ Desigualdades sociais por cor ou raça no Brasil” (clique aqui) e para uma visão mais geral o infográfico produzido pelo DIEESE (link para post no Face aqui).

Ano passado provoquei o debate : quais as cláusulas presentes em acordos coletivos ou em pautas de reivindicação tratam da erradicação das desigualdades de renda e oportunidades entre brancos e não brancos no mercado de trabalho formal ? Tive uma resposta do Diretor de Combate ao Racismo da CTB Ba que ficou de me enviar as cláusulas mas não o fez. E só.

Muitos dirão que a questão é estrutural e só se resolve no longo prazo com a adoção de medidas reparadoras. Verdade…. mas até lá algumas questões podem e devem ser postas em prática pelo movimento sindical :

Acesso às oportunidades de qualificação profissional – como se dá este acesso nas empresas ? A cor da pele influencia a tomada de decisão pelos gerentes, quase sempre brancos ? Quem monitora estes processos ? Por experiência pessoal este é um gargalo que só será superado não só com cláusulas definindo regras como também com organização sindical no local de trabalho fiscalizando o cumprimento do acordado.

Valorização do salário mínimo : a maior concentração de negros e pardos está na base da pirâmide do mercado de trabalho por conta das óbvias razões estruturais.Via de regra estas ocupações tem a sua remuneração indexada pelo salário mínimo. Logo uma política que assegure aumento real do salário mínimo contribui significativamente para melhorar a situação de quem está na base da pirâmide e por conseguinte reduzindo as diferenças entre brancos e não brancos. Só que a política de valorização do salário mínimo, instrumento de distribuição de renda mais eficaz que o Bolsa Família, foi extinto pelo governo Bolsonaro sem a necessária e devida denúncia por parte do movimento sindical.

Sem a pretensão de esgotar o assunto deixo estas duas proposições para o debate e, principalmente, para a ação sindical. Para que a ação sindical neste e nos próximos “20 de novembros” não se restrinjam a peças de publicidade nas redes sociais ou atitudes meramente litúrgicas.