Ainda no primeiro de greve o Tribunal Superior do Trabalho ratificou a ilegalidade da greve (já decretada em instância inferior) e aumentou a multa diária a ser aplicada aos sindicatos de 500 mil reais para 2 milhões de reais. Recomendou ainda que a Polícia Federal investigasse o envolvimento dos dirigentes de todos os sindicatos de trabalhadores em eventual manutenção da greve para aplicação de penalidades cabíveis e responsabilidades no pagamento da multa.

Na primeira instância, onde a greve foi considerada ilegal antes mesmo de ser deflagrada, a juíza que emitiu a sentença usou como um dos argumentos para decretar a ilegalidade o suposto caráter político da greve. Ou seja : segundo a ótica da magistrada uma greve é ilegal não por desobedecer um preceito legal mas pelo caráter a ela, greve, atribuída pelo Poder Judiciário.

O aumento exorbitante da multa diária, por sua vez, provoca o estrangulamento financeiro dos sindicatos. Uma vez se tornando regra, a sua aplicação desestimula a deflagração de greves tendo portanto um papel intimidatório.

Me parece ser esta medida mais um passo na escalada autoritária que vivemos onde o Poder Judiciário se alia ao Poder Executivo na tentativa de criminalizar os movimentos sociais.

Urge uma ação organizada e unitária de movimentos sociais e partidos do campo democrático-popular antes que o próximo passo seja dado: a aprovação pelo Congresso de legislação que criminalize os movimentos sociais.