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O que os trabalhadores acham dos protocolos de retomada ?

A Prefeitura de Salvador anunciou um calendário de retomada das atividades econômicas tendo como parâmetro orientador o índice de ocupação dos leitos de UTI.

Este protocolo foi construído em comum acordo com o Governo do Estado mas não fica claro a participação dos trabalhadores e suas representações na elaboração do documento. Mas também não é percebido a manifestação, contra ou a favor, dos sindicatos.

Deixo aqui a última versão do documento para conhecimento e manifestação no campo de comentários deste post. Pelo que a imprensa vem veiculando este documento será a base para protocolo nas demais regiões do estado embora algumas prefeituras já tenham autorizado o funcionamento do comércio.

Como andam as negociações sobre os protocolos de segurança para a retomada das atividades econômicas ?

Nestes pouco mais de 10 dias de isolamento social e supressão de boa parte das atividades produtivas de bens e serviços estamos, agentes públicos, empresários e trabalhadores, empenhados na manutenção da vida nas suas múltiplas variantes : programas de renda mínima, manutenção de atividades essenciais, medidas de saúde pública e ações de solidariedade.

Mas a imprensa vem noticiando a progressiva retomada das atividades econômicas. Em algumas cidades de forma açodada com o recrudescimento dos níveis de contágio e posterior suspensão das atividades notadamente do comércio. Outros segmentos anunciam retomada para os próximos dias sem muita clareza das bases que alicerçam a adoção de alguns protocolos de segurança. E, ao mesmo tempo, as autoridades médicas alertam para a precipitação destas medidas e as possíveis consequências.

Na Bahia temos notícia da criação de um Grupo de Trabalho coordenado pelo Secretário do Planejamento, Walter Pinheiro e contando com a participação de outras secretarias de governo, empresários e trabalhadores, estes últimos através das centrais sindicais. Este grupo tem como objetivo a definição de protocolo de segurança minimamente pactuados.

Mas observamos que prefeituras e segmentos empresariais anunciam retomada das atividades sem um pacto mínimo com quem realiza concretamente as atividades produtivas : os trabalhadores.

Hoje recebi mensagem do SINPRO – Sindicato dos Professores da Rede Privada (leia aqui) exigindo a participação do sindicato nestas definições. E ao longo desta semana vamos investigar como este processo está se dando nos vários setores da economia.

Medidas de proteção à vida, ao emprego e à renda dos trabalhadores – propostas das centrais sindicais

A CUT, CSB, CTB, Força Sindical, Nova Central Sindical e UGT apresentaram à sociedade e ao Congresso nacional em particular um conjunto de propostas voltadas à proteção da sociedade brasileira e medidas de retomada da atividade econômica.

O documento na íntegra pode ser lido aqui e tem a seguinte estrutura :

  • continuidade do auxílio emergencial
  • reorganização do sistema público de trabalho e emprego
  • ampliação do sistema de proteção em emprego nas micro e pequenas empresas (crédito e assistência técnica)
  • agenda para a retomada da economia

Meio ambiente, trabalho e os dilemas do movimento sindical

Dia 5 de junho comemoramos o dia mundial em defesa do meio ambiente; hoje, 8 de junho, dia mundial dos oceanos. Datas que trazem para a agenda sindical e movimentos sociais o debate sobre possíveis relações entre a pandemia e degradação ambiental e a necessidade de aproveitar o drama humanitário mundial para a adoção de novos conceitos e práticas para o desenvolvimento sócio econômico.

Muito destes possíveis conceitos situam-se mais no plano do desejo pessoal. Não havendo ação efetiva da sociedade pouco acontecerá de mudanças importantes e até corremos riscos de regressão aqui no Brasil. Países como Nova Zelândia, Alemanha e Espanha elaboram planos de transição no seu parque produtivo o que implica em ações ativas dos governos em diálogo com trabalhadores e empresários.

Temos alguns desafios no Brasil para além de um governo que não demonstra interesse no tema. Conviveremos com desemprego elevado durante algum tempo e a pressão pela retomada da economia é grande. Sem um programa vigoroso de renda mínima e previdência social os trabalhadores desempregados pouco se sensibilizarão com impactos climáticos.

Mais dois desafios :

  • os sindicatos de trabalhadores da indústria serão pressionados pelas suas bases a se posicionar pela imediata retomada das atividades das suas plantas para assegurar postos de trabalho ou retomar a renda média anterior;
  • as atividades do agronegócio, uma das mais danosas ao meio ambiente, tem um peso grande na pauta de exportação brasileira e por consequência no impulsionamento da atividade econômica. Teremos poder de fogo para leva-la à transição para um modelo de produção mais justo social e ambientalmente ?

Não são desafios de fácil enfrentamento mas não fazê-lo desde já nos remete a um futuro talvez mais dramático que o passado próximo que não desejamos retornar.

Para melhor entender os impactos das questões ambientais e suas formas de enfrentamento o DIEESE preparou uma Nota Técnica que merece ser lida…clica aqui e deixe sua opinião nos comentários

Idosos e mercado de trabalho – cenários pós pandemia

O DIEESE publicou o estudo “Quem são os idosos brasileiros” . Oportuno pois os idosos são o principal grupo de risco do CONVID-19 e ao mesmo tempo contribuem significativamente para a composição da renda das famílias brasileiras quer através da remuneração advinda de atividades produtivas quer através de aposentadoria.


Íntegra do estudo – https://bit.ly/estudo_DIEESE_idosos

Quadro por estado – https://bit.ly/idosos_estados


Muito provavelmente mais idosos que hoje estão fora do mercado de trabalho tentarão obter alguma renda adicional através do trabalho mas serão relegados a atividades precárias devido ao risco de contaminação futura. Em caso de dispensa de mão de obra também os idosos ficam em situação vulnerável uma vez que o contágio é reconhecido como doença do trabalho.

Portanto a adoção de medidas protetivas a este segmento é necessária principalmente a adequação do sistema previdenciário ao novo cenário sócio econômico.

A imunização como diferencial competitivo no acesso ao mercado de trabalho

Semana passada ouvindo o podcast Nova Rádio Libertadora da Brigada Marighella fui alertado pela minha amiga Poliana Rebouças para uma provavel situação a se observar no mercado de trabalho: a valorização dos infectados sobreviventes da CONVID 19.

Estranho não é ? É, mas faz sentido. Por alguma razão que não sei explicar ( e me deu preguiça de procurar no YouTube) quem contrair e sobreviver ao CONVID 19 fica imune não se sabe ainda durante quanto tempo. É sabido também que durante um bom tempo vamos conviver com a possibilidade de novos casos de contaminação. É a chamada “segunda onda” (vamos ficar atentos à China). Por isso é que falava no post anterior sobre a fase crônica da pandemia que não sabemos quanto tempo irá durar.

Então raciocinemos : entre contratar um empregado com potencial de contaminação ou contratar um que está imune (não se sabe ao certo durante quanto tempo) o empresariado brasileiro vai escolher quem ?

Deixo que concluam. Por isso a razão do título: esta sofrida imunização pode funcionar como diferencial de competitividade num capitalismo que mandou. faz tempo às favas os escrúpulos de consciência (em outro momento conto de onde busquei esta frase).

Saúde e mercado de trabalho no pós pandemia

Vou continuar durante algum tempo a usar o termo pós pandemia mas já estou convencido de que não teremos um “pós” durante muito tempo. Sou daqueles que começa a acreditar que sairemos da fase aguda para vivenciar a fase crônica da pandemia.

E nesta fase crônica termos particularidades que afetarão o acesso dos trabalhadores ao mercado de trabalho. A começar pela saúde: obesos, diabéticos e hipertensos fazem parte do grupo de risco para infecção pelo CONVID 19 e assim continuarão enquanto não tivermos uma vacina. O que vale dizer que, passada a fase aguda, as pessoas com estas patologias continuarão vulneráveis. E num mercado de trabalho marcado pelo desemprego estas pessoas irão para o fim da fila das contratações.

Aqueles que possuam vínculo formal podem até não serem demitidos mas serão remetidos para home office e arcarão com os custos e responsabilidades de uma eventual contaminação.

Enfim, teremos mais um fator de “seleção” para o acesso ou permanência no mercado de trabalho. Mais uma demanda nova para o movimento sindical (a proteção sócio laboral para os portadores destas patologias) e para o sistema público de saúde (um amplo programa de ações preventivas e adoção de hábitos saudáveis).

Parece assustador, realmente é assustador mas bem próximo da realidade.

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