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Juventude, mercado de trabalho e ação sindical

Na segunda passada, 3 de dezembro, acompanhei, por breves minutos, a atividade da CUT Bahia preparatória para a instalação do Coletivo de Juventude desta central sindical. Iniciativa necessária mas focada nos dirigentes e ativistas dos sindicatos filiados  à central que tenderá naturalmente a se debruçar sobre a agenda dos seus respectivos sindicatos.

No mesmo dia vejo pesquisa publicada no site do IPEA com uma radiografia da juventude trabalhadora brasileira e sua inserção no mercado de trabalho (veja site da pesquisa clicando aqui ; neste link voce pode fazer download do estudo na íntegra ou do resumo executivo). Um número de cara chama a atenção : 23% dos jovens pesquisados nem estudam e nem trabalham. Mas não pensem que são desocupados: boa parte gostaria de trabalhar mas não encontra oportunidade, outros estão envolvidos em atividades ou pequenos negócios domésticos. As garotas que fazem parte deste grupo tem uma característica marcante: a maternidade precoce e a consequente tarefa de cuidar dos filhos. Ou a responsabilidade de cuidar dos idosos da família.

A pesquisa apresenta outras características interessantes para quem pretende lidar com este público na perspectiva do trabalho. Os números são similares aos encontrados pelo IBGE em pesquisas específicas.

E, na minha opinião, reforça a percepção de que se o movimento sindical pretende dialogar com a juventude trabalhadora talvez tenha um melhor resultado reconhecendo que esta, por estar distante do mercado formal ou ter com o mesmo uma relação intermitente, não se vê motivada a acompanhar a agenda sindical.

A partir daí conceber um novo modelo de organização da classe trabalhadora que abarque esta diversidade de situação e proponha e dispute políticas públicas que possibilite uma inserção digna deste jovem no mercado de trabalho.

PS – tem uma publicação de pouco mais de 20 páginas da Fundaçao Perseu Abramo que merece ser lida por quem se interesse pelo tema : Informalidade: Realidades e possibilidades para o mercado de trabalho brasileiro

O governo Rui e a geração de empregos na Bahia

 

Demorei de fazer esta postagem por preguiça de ler os programas dos candidatos ao governo do estado da Bahia e pelo desinteresse pela campanha local dada à dianteira de Rui Costa desde o início da campanha.

Em parte o Coletivo Interface me ajudou ao publicar uma matéria analisando as propostas dos candidatos para a geração de trabalho e renda (leia aqui) a partir dos respectivos programas de governo. Merece elogios pois a imprensa local pouco se interessa pelo tema em que pese os altos índices de desemprego no nosso estado.

De uma forma geral os candidatos afirmam o básico: investir em obras públicas e em infraestrutura para atrair investimentos produtivos. A partir daí a roda da economia gira e empregos são gerados direta ou indiretamente. Raciocínio correto mas nada de inovador.

O tempo de estrada mostrou ao PT que os investimentos em educação profissional e formação de mão de obra são necessários e complementar à atração de investimentos. Mas sozinha esta ação não gera empregos. Daí a pouca enfase neste momento de economia retraída.

Acho que o programa de Rui Costa ousa pouco em alguns aspectos:

  • não ampliar a visibilidade e alcance do programa Bahia Produtiva, voltado para a agricultura familiar e financiado pelo Banco Mundial. Caberia uma maior integração deste programa com outras ações de governo, prefeituras e consórcios públicos objetivando adensar cadeias produtivas e internalizar nos municípios os recursos investidos pelo programa;
  • não propor ações voltadas para as compras públicas. Os entes governamentais são grandes compradores e o governo do estado poderia implantar mecanismo que destinasse parte destas compras para empreendimentos locais de pequeno porte. E existe experiência acumulada para tal: a prefeitura de São Paulo durante a gestão de Fernando Haddad implantou programa semelhante com excelente resultado. Claro que não basta criar as condições legais mas também preparar os empreendimentos para acessar estes programas dentro das condições estabelecidas;
  • avançar no estímulo ao crédito popular e solidário ou às ações de micro finanças. O Programa Finanças Solidária executado pela SETRE é tímido e, além de um maior aporte de recursos, falta apoio às iniciativas de micro finanças que existem no estado. E uma ação articulada para que os recursos investidos pelo programa Bahia Produtiva seja canalizado para as cooperativas de crédito, onde estas estejam em funcionamento.

Enfim, são medidas que requerem disposição em contrariar interesses e perseverança pois os resultados não aparecem de imediato. Mas poderiam ampliar a capacidade produtiva de pequenos empreendimentos e aumentar a renda dos que vivem do trabalho. Além de aproximar o governo daqueles que mais precisam.

 

 

De volta: emprego formal na Bahia e o que as centrais sindicais não querem ver

Conciliar o início da campanha eleitoral com atividades profissionais me levou a sacrificar as postagens neste blog. Retomo hoje, rapidamente, para comentar sobre alguns dados do CAGED – Cadastro Geral do Emprego e Desemprego – na Bahia a partir de boletim técnico da SEI/SEPLAN (leia aqui) com base no mês de junho.

Sempre levando em conta o que considero relevante para o movimento sindical. Vamos lá :

  • quando da divulgação dos dados de maio manifestei a minha surpresa com o saldo positivo de ocupações formais em Itamaraju. Fui alertado pelo meu amigo Rubens Farias do STR de Alcobaça que se tratava de contratações referentes à colheita do café e que no mês seguinte o resultado seria inverso. Afirmação correta: em junho Itamaraju lidera o saldo negativo;
  • Salvador e RMS continuam a perder postos de trabalho com carteira assinada. E é nesta região que o movimento sindical concentra as suas instâncias decisórias e a sua ação sindical. Tema para bons debates se houver vontade política para enfrentar a questão;
  • o agronegócio continua a gerar postos de trabalho formal e de forma continuada como na região de Juazeiro. Segmento de frágil atuação do movimento sindical. A fragmentação da organização sindical é uma, mas não a única, forte razão desta fragilidade. Qual o pacto político possível para supera-la ?
  • o setor de serviços também se mantém como gerador de postos de trabalho. A pulverização deste segmento potencializa a nossa tradicional fragmentação da organização sindical. Justamente num segmento que historicamente apresenta baixa remuneração e condições de trabalho precárias;

Concluindo : interiorizar a ação sindical na Bahia e repensar a organização sindical no Brasil

Mapa do emprego na Bahia e oportunidades para o movimento sindical

O Ministério do Trabalho divulgou o resultado do CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – para o ano de 2017. O CAGED fornece o mapa das variações do emprego formal e deve ser analisado pelo movimento sindical, particularmente as centrais sindicais, para a definição das suas estratégias.

A SEI, autarquia do Governo do Estado vinculada à SEPLAN, organiza estes dados aqui na Bahia por Territórios de Identidade (clique aqui para ler) e uma rápida leitura permite algumas conclusões:

  • a RMS, Região Metropolitana de Salvador, é o território líder de desemprego perdendo 9.477 postos de trabalho. Provavelmente por conta do final das obras do metrô e pela paralisia da construção civil. Com a crise econômica o setor imobiliário deixa de construir e tenta vender os imóveis encalhados;
  • o Território Sertão do São Francisco é o campeão em geração de postos de trabalho : 2.518 postos gerados puxados pela indústria do acúcar e investimentos públicos. A grande maioria destes postos de trabalho estão localizados em Juazeiro e Casa Nova;
  • Bacia do Rio Grande, Extremo Sul e Portal do Sertão também apresentam números positivos significativos. Os dois primeiros por conta do agronegócio e o último provavelmente por conta dos resultados da política de atração de investimentos do Governo do Estado.

Conclusão inicial: o agronegócio e a intervenção pública foram o carro-chefe na geração de emprego na Bahia em 2017.

Vou tentar ler os resultados por setor da economia com mais cuidado para avaliar outras possibilidades.

Analise também e nos envie seu ponto de vista: ou sob a forma de comentário ou texto para publicação.

Debate na Fundação FHC sobre o futuro do emprego

Sei que muitos vão torcer o nariz por estar repercutindo um debate ocorrido na Fundação que leva o nome do ex-presidente responsável pela implantação da agenda neo-liberal no nosso país. Mas vamos fazer um esforço de superação e ler com atenção o texto sobre o seminário “Inovações disruptivas e o futuro do emprego: ameaças e oportunidades” . O tema é oportuno e a abordagem apropriada: sem catástrofes anunciadas e sem achar que tudo se resolve através do mercado.

Ao contrário do que apregoam “tucanos” e adoradores do “deus mercado” os debatedores defendem uma firme intervenção do Estado para dirigir o processo de implementação das tais inovações disruptivas e mitigar os seus efeitos.

Entendem que os efeitos das inovações tecnológicas podem ser potencializados através da adoção de novos conceitos no processo de aprendizagem e que o acesso a um sistema de educação de qualidade deve ser assegurado a todos. Defendem também um sistema de requalificaçao profissional para está desempregado mas também para quem está no mercado de trabalho. E um novo sistema de proteção social já que algumas pessoas podem ficar de fora do mundo do trabalho por dificuldades de readequação.

Bem, insisto que vale a leitura do texto e acompanhamento dos áudios. É só voltar no primeiro parágrafo deste post e clicar no texto em vermelho. Boa leitura.

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