Demorei de fazer esta postagem por preguiça de ler os programas dos candidatos ao governo do estado da Bahia e pelo desinteresse pela campanha local dada à dianteira de Rui Costa desde o início da campanha.

Em parte o Coletivo Interface me ajudou ao publicar uma matéria analisando as propostas dos candidatos para a geração de trabalho e renda (leia aqui) a partir dos respectivos programas de governo. Merece elogios pois a imprensa local pouco se interessa pelo tema em que pese os altos índices de desemprego no nosso estado.

De uma forma geral os candidatos afirmam o básico: investir em obras públicas e em infraestrutura para atrair investimentos produtivos. A partir daí a roda da economia gira e empregos são gerados direta ou indiretamente. Raciocínio correto mas nada de inovador.

O tempo de estrada mostrou ao PT que os investimentos em educação profissional e formação de mão de obra são necessários e complementar à atração de investimentos. Mas sozinha esta ação não gera empregos. Daí a pouca enfase neste momento de economia retraída.

Acho que o programa de Rui Costa ousa pouco em alguns aspectos:

  • não ampliar a visibilidade e alcance do programa Bahia Produtiva, voltado para a agricultura familiar e financiado pelo Banco Mundial. Caberia uma maior integração deste programa com outras ações de governo, prefeituras e consórcios públicos objetivando adensar cadeias produtivas e internalizar nos municípios os recursos investidos pelo programa;
  • não propor ações voltadas para as compras públicas. Os entes governamentais são grandes compradores e o governo do estado poderia implantar mecanismo que destinasse parte destas compras para empreendimentos locais de pequeno porte. E existe experiência acumulada para tal: a prefeitura de São Paulo durante a gestão de Fernando Haddad implantou programa semelhante com excelente resultado. Claro que não basta criar as condições legais mas também preparar os empreendimentos para acessar estes programas dentro das condições estabelecidas;
  • avançar no estímulo ao crédito popular e solidário ou às ações de micro finanças. O Programa Finanças Solidária executado pela SETRE é tímido e, além de um maior aporte de recursos, falta apoio às iniciativas de micro finanças que existem no estado. E uma ação articulada para que os recursos investidos pelo programa Bahia Produtiva seja canalizado para as cooperativas de crédito, onde estas estejam em funcionamento.

Enfim, são medidas que requerem disposição em contrariar interesses e perseverança pois os resultados não aparecem de imediato. Mas poderiam ampliar a capacidade produtiva de pequenos empreendimentos e aumentar a renda dos que vivem do trabalho. Além de aproximar o governo daqueles que mais precisam.