
Quinta feira de carnaval e o clima aqui na Barra, bairro onde moro em Salvador, vive freneticamente o lado pouco visível do carnaval: prestadores de serviço concluindo com urgência a instalação de camarotes, trios e conexão com a internet; turistas atônitos buscando local de customização de abadás e organizando o rango carnavalesco e, por fim, o trabalhador que garante o fornecimento de bebidas e comida no circuito comprando cerveja e outros derivados alcoólicos e salsicha e pão para cachorro quente.
Estes últimos formam uma parte do exército de trabalhadores precarizados que sustentam o carnaval, juntamente com seguranças de bloco e catadores de recicláveis.
Teremos novidades neste ano para reduzir as vulnerabilidades deste contingente de trabalhadores precarizados ? Anúncios existem e vamos verificar (será que consigo ?). O Ministério do Trabalho promoveu a assinatura do Pacto pelo Trabalho Decente no Carnaval. E Governo do Estado e Prefeitura de Salvador anunciam medidas tais como pontos de apoio para descanso, banho e recarga de celular e máquinas de cartão de débito/crédito, vale transporte para que estes trabalhadores possam dormir em casa além de restaurantes que servem uma refeição por dia para trabalhador do comércio ambulante e acompanhante.
Seguranças de bloco de carnaval tem uma acordo coletivo assinado entre sindicato da categoria (pouco representativo mas existe) e sindicato patronal com a mediação do MPT Ba. Se será cumprido ou não é outra estória.
Para os catadores de recicláveis creio (divulgação precária do Governo da Bahia) que permaneçam as ações de anos anteriores talvez com aporte menor de recursos.
E para todos este público teremos unidades de acolhimento de crianças filhos e filhas de trabalhadores do carnaval que podem deixar seus filhos em segurança. Quando acompanhei alguns destes programas percebi que as mães, na sua maioria, não sentem segurança e preferem trabalhar com seus filhos por perto. Que acabam por ajudar os pais no trabalho.
Conceitualmente temos alguns avanços , creio que insuficientes mas avanços. Me parece que o movimento sindical poderia atuar na verificação da eficácia destas medidas. Mas não tenho ilusões.
Por fim deixo uma sugestão/desafio : vamos criar o Observatório do Trabalho no Carnaval ? Sindicatos, poderes públicos, universidades, movimentos sociais acompanhando a execução destas medidas e propondo soluções.
Pois o que me desconforta é a naturalização destas assimetrias na maior festa popular da nossa cidade. Da qual muito nos orgulhamos e vivemos intensamente.
Fica o desafio. E para ajudar a manter este blog e cosntruir ações como a proposta acima manda um pix através do QR abaixo
