7 de outubro é o dia consagrado ao Trabalho Decente. Mais precisamente às jornadas de luta pela promoção do trabalho decente. Neste ano de 2022 a luta por trabalho decente no Brasil confunde-se com a luta pela derrota eleitoral de Jair Bolsonaro pois com este governo a possibilidade de trabalho digno é remota.

Até as 12:30 deste dia 7, hora em que redijo este post a CNM/CUT foi a única entidade sindical a publicar texto sobre o dia 7 conclamando os sindicatos à luta. Leia a seguir ou clicando aqui.

7 de Outubro dia de Luta por Trabalho Decente

O processo progressivo de desenvolvimento tecnológico tem implicado, há algum tempo, o avanço das inovações tecnológicas enquadrados na chamada revolução 4.0. Essa revolução e o estágio do desenvolvimento tecnológico têm sido caracterizados pelo desenvolvimento de uma tendência ao automatismo e à incorporação e articulação de sistemas cibernéticos-físicos. 

O impacto concreto que esse processo tem na organização do trabalho pode ser resumido em processos generalizados de incorporação de tecnologias da informação, automação de porções ou processos globais de produção e remanejamento do processo produtivo (e, portanto, da força de trabalho).

O que tem acontecido é o aumento da produtividade das empresas, a otimização dos recursos, a redução dos tempos de produção e, principalmente, a eliminação de empregos. Além disso, o aumento da exploração daqueles que vivem do trabalho por um grupo menor de capitalistas.

Em países como o nosso, além de periféricos e dependentes, acentuado pela heterogeneidade estrutural, pela condição de ser tomadores de inovações tecnológicas e desenvolver extensos elos produtivos no trabalho com baixo valor agregado e processos de produção facilmente automatizados. 

Esses impactos acontecem de diferentes maneiras, mas não ocorrem no mundo desenvolvido. Nesse sentido, é imprescindível desenvolver uma agenda de trabalho que, em primeiro lugar, reivindique a distribuição do trabalho. 

Se as inovações tecnológicas possibilitam melhorar a produção em termos de desempenho, também deve ter impacto no cuidado com o meio ambiente e no bem-estar dos trabalhadores. A redução da jornada de trabalho sem redução de salários ,não é apenas necessária, do ponto de vista da distribuição do trabalho, mas justa em termos de socialização dos benefícios. 

Para serem efetivos os ganhos, a terceirização deve ser fortemente restringida e deve haver sistemas efetivos que promovam a negociação e contratação nacional , o que somente é possível com sindicatos livres , democráticos e organizados de acordo com os interesses dos trabalhadores.

A implantação de sistemas de renda mínima solidária, no qual seja garantido a todas as pessoas um recurso capaz de atender as necessidades de crescimento humano independente de estar trabalhando ou não é  urgente como forma de distribuição de riquezas gerada socialmente.

É fundamental também uma política tributária na qual os ricos sejam pessoas físicas ou empresas, paguem os impostos proporcionalmente aos seus lucros e dividendos e evitem a evasão fiscal. 

Por último, particularmente para os nossos países, devemos avançar em direção a uma agenda internacional que exige a integração regional e produtiva, a complementaridade e a geração de cadeias destinadas a dignificar as condições de trabalho e agregar valor a ela.

Neste 7 de outubro, dia global pelo trabalho decente, nós da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT chamamos todos os sindicatos do mundo a refletirem e traçarem ações concretas em torno das bandeiras acima citadas para construirmos um mundo solidário e menos desigual.

Particularmente neste momento estamos engajados num processo de luta que é definidor de nossa vida com repercussões não somente no Brasil mas em parte considerável do mundo.

Portanto, nossas ações de luta por trabalho decente se materializam no engajamento mais forte de nossos sindicatos e militância na eleição do Companheiro Lula da Silva como presidente do Brasil no dia 30 de Outubro. 

A Luta Continua, até a vitória, sempre!

São Bernardo , 6 de outubro de 2022

Direção da CNM-CUT