Se os movimentos sociais não conseguem colocar as mazelas do mundo do trabalho no centro da agenda mundial o cinema bem que vem tentando. Depois de “Parasitas” (ver post anterior) ganhar o Oscar de Melhor Filme, entra em cartaz em Salvador a mais recente obra dirigida por Ken Loach, “Voce Não Estava Aqui“.

Com um roteiro sem firulas o filme trata do cotidiano de um operário inglês que acredita que trabalhar por conta própria resolverá para sempre as suas dificuldades financeiras. Logo no primeiro dia aprende que o centro de sua vida passa a ser o “aparelho”, um “gadget” que funciona como scanner das encomendas a serem entregues, organiza o roteiro de entregas, rastreia o seu percurso e a sua performance.

A partir daí a sua vida pessoal se desorganiza pois para conseguir uma remuneração razoável a jornada de trabalho cada vez mais aumenta e torna-se mais intensa afastando-o do cotidiano familiar.

Fico por aqui para não dar “spoiler” e deixo uma observação que me marcou: em momento algum o sindicato aparece como alternativa para a solução dos problemas.

Como não sou um crítico de cinema deixo dois textos para leitura sobre o filme. Mas vale a pena tentar assistir.

Ken Loach desnuda os sentidos do trabalho – http://bit.ly/3clTmi4

“Nosso filme olha para o caos da vida dominada pela tecnologia. É sobre essa falsa ilusão de liberdade” – http://bit.ly/2VzZdue