A ascensão dos governos liderados pelos partidos de esquerda, no Brasil e na Bahia, levou os sindicatos de agricultores familiares a secundarizarem s sua ação essencialmente sindical, no sentido de avançar na pauta dos seus representados. Limitaram-se a organizar e assegurar o acesso do seu público às políticas públicas, ampliadas em larga escala por estes governos.

Atitude compreensível uma vez que estas iniciativas governamentais foram resultado de anos de lutas e conflitos. Mas teve um efeito negativo : produziu uma geração de lideranças que não vivenciaram o enfrentamento e as contradições de classe. Esta lacuna ficou perceptível quando do golpe de 2016 e do atual desmonte destas mesmas políticas, operados sem resistência significativa.

Em contrapartida novos movimentos ocuparam este espaço, com uma perspectiva de ampliação da agenda sem contudo disputar espaço com os atuais sindicatos. Surgem também redes de agroecologia que cada vez mais assume uma posição política e de representação da sua base social construindo aos poucos uma agenda de atividades e uma pauta de reivindicações.

Exemplos : temos duas redes agroecológicas com atuação em todo o estado e que neste 2019 realizaram atividades de abrangência estadual culminando com resoluções que caberiam tranquilamente na agenda cutista.

Estes novos movimentos tem uma aproximação ideológica com a CUT atuando em alguns momentos em parceria com sindicatos cutistas. Cabe à nova gestão da CUT propor e conduzir uma agenda regular de debates na perspectiva construir uma agenda comum e orientar os seus sindicatos a participarem das atividades destes movimentos e coletivos tomando o devido cuidado de evitar posturas hegemonistas.