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Mercado de trabalho, sindicalismo e o 20 de novembro

Encerrando a semana do 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra me permito algumas observações sobre o 20 de novembro na perspectiva de quem tenta acompanhar as organizações que lidam com o mundo do trabalho:

  • o Dieese e a SEI realizaram entrevista coletiva para divulgar o estudo especial sobre o trabalhador negro e o mercado de trabalho na RMS no dia 14 de novembro. Imagino que o feriadão tenha motivado a antecedência. A repercussão na imprensa local foi pequena e acredito que o DIEESE deveria convidar para a coletiva (e também enviar o release do estudo) a imprensa sindical, os meios alternativos e a imprensa étnica (sim, existe um volume de veículos vinculados ao tema em Salvador). Pelo que acompanho avalio que a imprensa sindical não se interessaria mas os veículos ditos alternativos, sim. Enquanto isso acesse o estudo aqui , vale a leitura;
  • o movimento sindical cutista na Bahia (aquele que acompanho mais de perto) descobriu o potencial transformador dos cards e centrou sua atuação na difusão destes. OK, muitos ativistas e alguns sindicatos se envolvem na construção de atividades e participam das manifestações. Mas deixo a pergunta : e quanto à ação sindical ? E como lidar com os desempregados, quase sempre negros, o trabalho precário e o empreendedor da periferia ? E no mercado de trabalho formal como ficam os critérios de acesso a postos de comando ou aos programas de aprimoramento profissional ?
  • a entrevista concedida à Folha de São Paulo pela Ana Lúcia Custódio, diretora adjunta do Instituto Ethos (leia aqui) traz uma questão que me parece relevante e que aponta para uma linha de atuação do movimento sindical. Ela advoga a tese de que o processo de seleção de mão de obra reduz a possibilidade de acesso do trabalhador negro ao mercado de trabalho ou a postos menos precários. A leitura da entrevista me leva a concordar com a entrevista e deixa um desafio para o movimento sindical: como interferir, via acordo coletivo de trabalho, no processo de seleção? Ou tentar interferir no processo formativo dos profissionais de RH incluindo o enfrentamento do preconceito racial no percurso formativo dos cursos de administração de empresas de faculdades públicas e privadas? Acredito que promover um debate sobre estas questões ajuda na busca de soluções e tem mais efetividade que a proliferação de cards;
  • outra entrevista que me chamou a atenção foi a concedida pela soteropolitana Monique Evelle à revista Exame (leia aqui) : trata sem romantismo, como ela mesmo diz, do empreendedorismo popular, em Salvador quase que totalmente protagonizado pela população negra. Me obriga a fazer um balanço sobre as minhas crenças sobre as diretrizes do que chamamos de “economia solidária” numa sociedade onde o cidadão empreendedor tem que resolver seu problema de sobrevivência para amanhã. Convido meus companheiros de crença a me ajudarem nesta reflexão. E manifesto o desejo de entrevistar a Monique para este blog; quem tiver o canal me passe ou me apresente a ela;
  • muitas iniciativas em Salvador ligada ao que “empreendedorismo negro”. Não só pela predominância dos negros entre os desempregados e trabalhadores por conta própria mas pela consciência, creio eu, que a cultura de matriz africana gera negócios rentáveis cuja lucratividade não era apropriada pela população negra. Se esta reapropriação será mais ou menos coletiva é um espaço em disputa. Dentro do possível vou tentar acompanhar este movimento.

 

Qual o futuro do sindicalismo ?

Quem faz esta pergunta em artigo publicado no site Brasil Debate é o Clemente Ganz Lúcio, Diretor Técnico do DIEESE. Pergunta mas também oferece pistas para a organização sindical no futuro próximo.

Na tentativa de resposta Clemente lista segmentos específicos da força de trabalho brasileira e os desafios organizativos de cada uma destes. Me chama a atenção o desafio proposto para a ação sindical junto à juventude que, ainda em idade escolar, prepara-se para assumir os futuros postos de trabalho e por conseguinte futuros dirigentes e ativistas sindicais. Fico na expectativa de que a leitura destas provocações transforme a postura dos atuais dirigentes sindicais. Meu ceticismo não me permite ir além disto.

Torço para estar errado. E torço para que este texto instigue o debate. Leia-o clicando aqui e me mande a sua opinião.

40 anos das greves de 78 e o futuro do sindicalismo

Tomei conhecimento através de postagem no Whatsapp da recente edição da Revista Lua Nova editada pelo CEDEC – Centro de Estudos de Cultura Contemporânea cujo tema é “40 anos das greves de 78 e os dilemas do sindicalismo na atualidade“. Todos os textos estão disponíveis para leitura em formato PDF (clique aqui).

Leitura indispensável pois foram as greves de 78, iniciadas no setor metalúrgico, que projetou para o Brasil e para o mundo a figura de Luis Inácio Lula da Silva e apontou para toda uma geração de ativistas potenciais, entre os quais se insere este blogueiro, as possibilidades de ação política numa fase de descrédito na alternativa da luta armada e ceticismo em relação à possibilidade de atuação partidária ainda sob a égide da ditadura militar.

Indispensável também por reforçar o debate sobre o futuro do sindicalismo numa época de crise do capitalismo, desemprego estabilizado em patamares elevados, ampliação do trabalho precário e por conta própria e ritmo crescente de substituição da mão de obra humana por artefatos tecnológicos. Enfim, a redução do trabalho assalariado, base da organização sindical até o momento.

O calendário eleitoral tende a remeter a leitura deste texto para após o 7 de outubro. No final de semana posterior tento publicar minhas considerações sobre a publicação.

 

Mapa do emprego na Bahia e oportunidades para o movimento sindical

O Ministério do Trabalho divulgou o resultado do CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – para o ano de 2017. O CAGED fornece o mapa das variações do emprego formal e deve ser analisado pelo movimento sindical, particularmente as centrais sindicais, para a definição das suas estratégias.

A SEI, autarquia do Governo do Estado vinculada à SEPLAN, organiza estes dados aqui na Bahia por Territórios de Identidade (clique aqui para ler) e uma rápida leitura permite algumas conclusões:

  • a RMS, Região Metropolitana de Salvador, é o território líder de desemprego perdendo 9.477 postos de trabalho. Provavelmente por conta do final das obras do metrô e pela paralisia da construção civil. Com a crise econômica o setor imobiliário deixa de construir e tenta vender os imóveis encalhados;
  • o Território Sertão do São Francisco é o campeão em geração de postos de trabalho : 2.518 postos gerados puxados pela indústria do acúcar e investimentos públicos. A grande maioria destes postos de trabalho estão localizados em Juazeiro e Casa Nova;
  • Bacia do Rio Grande, Extremo Sul e Portal do Sertão também apresentam números positivos significativos. Os dois primeiros por conta do agronegócio e o último provavelmente por conta dos resultados da política de atração de investimentos do Governo do Estado.

Conclusão inicial: o agronegócio e a intervenção pública foram o carro-chefe na geração de emprego na Bahia em 2017.

Vou tentar ler os resultados por setor da economia com mais cuidado para avaliar outras possibilidades.

Analise também e nos envie seu ponto de vista: ou sob a forma de comentário ou texto para publicação.

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