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De volta: emprego formal na Bahia e o que as centrais sindicais não querem ver

Conciliar o início da campanha eleitoral com atividades profissionais me levou a sacrificar as postagens neste blog. Retomo hoje, rapidamente, para comentar sobre alguns dados do CAGED – Cadastro Geral do Emprego e Desemprego – na Bahia a partir de boletim técnico da SEI/SEPLAN (leia aqui) com base no mês de junho.

Sempre levando em conta o que considero relevante para o movimento sindical. Vamos lá :

  • quando da divulgação dos dados de maio manifestei a minha surpresa com o saldo positivo de ocupações formais em Itamaraju. Fui alertado pelo meu amigo Rubens Farias do STR de Alcobaça que se tratava de contratações referentes à colheita do café e que no mês seguinte o resultado seria inverso. Afirmação correta: em junho Itamaraju lidera o saldo negativo;
  • Salvador e RMS continuam a perder postos de trabalho com carteira assinada. E é nesta região que o movimento sindical concentra as suas instâncias decisórias e a sua ação sindical. Tema para bons debates se houver vontade política para enfrentar a questão;
  • o agronegócio continua a gerar postos de trabalho formal e de forma continuada como na região de Juazeiro. Segmento de frágil atuação do movimento sindical. A fragmentação da organização sindical é uma, mas não a única, forte razão desta fragilidade. Qual o pacto político possível para supera-la ?
  • o setor de serviços também se mantém como gerador de postos de trabalho. A pulverização deste segmento potencializa a nossa tradicional fragmentação da organização sindical. Justamente num segmento que historicamente apresenta baixa remuneração e condições de trabalho precárias;

Concluindo : interiorizar a ação sindical na Bahia e repensar a organização sindical no Brasil

Evolução do mercado de trabalho formal na Bahia : pistas para a ação sindical

A divulgação dos dados do CAGED referentes ao mês de maio de 2018 chamou a atenção pelos números negativos na geração de postos de trabalho formais mesmo incorporando as situações de trabalho intermitente. Esta situação, em que o trabalhador pode ou não ser aproveitado por um empregador sem jornada definida é aceita pelas estatísticas a partir da entrada em vigor da reforma trabalhista.

Na Bahia o quadro é diferente: observa-se no boletim mensal (leia aqui) publicado pela SEI, órgão de estudos e estatísticas do Governo do Estado da Bahia, que a geração de postos de trabalho no estado é positiva não só em maio mas também no acumulado do ano. Não vou entrar em detalhes recomendando a leitura do boletim pois pretendo abordar alguns aspectos que, acredito, tenham relevância para a ação do movimento sindical. Vamos lá então :

  • a ampliação da oferta de postos de trabalho formais na Bahia continua a crescer no interior do estado e a diminuir, mesmo que levemente, na Região Metropolitana de Salvador. A central sindical que se pautar por esta tendência certamente ampliará o seu capital político sindical;
  • neste ano de 2018 um dos segmentos profissionais que mais ofertou postos de trabalho foi o de comércio e serviços. Quase todas as cidades de porte grande ou médio tem um sindicato de trabalhadores no comércio. Existe alguma ação articulada entre eles?
  • o agronegócio também é um grande ofertante de postos de trabalho formais. Aí temos mais desafios a enfrentar: os sindicatos de assalariados rural, poucos, tem dificuldade de representação devido à sazonalidade da atividade e à mobilidade da mão de obra, conseqüência da própria sazonalidade. Esta dificuldade desestimula a constituição de sindicatos de assalariados e a representação fica por conta dos sindicatos de trabalhadores na agricultura familiar; que nem sempre incorpora as questões inerentes ao assalariamento ou por desconhecimento ou por falta de interesse. O certo é que este contingente de trabalhadores também fica à margem da representação sindical.

O certo é que esta consolidação do mercado formal não tem sido acompanhada de uma ação sindical compatível e necessária. E dado o cima de instabilidade vivido é uma oportunidade que não se sabe por quanto tempo se manterá.

Mapa do emprego na Bahia e oportunidades para o movimento sindical

O Ministério do Trabalho divulgou o resultado do CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – para o ano de 2017. O CAGED fornece o mapa das variações do emprego formal e deve ser analisado pelo movimento sindical, particularmente as centrais sindicais, para a definição das suas estratégias.

A SEI, autarquia do Governo do Estado vinculada à SEPLAN, organiza estes dados aqui na Bahia por Territórios de Identidade (clique aqui para ler) e uma rápida leitura permite algumas conclusões:

  • a RMS, Região Metropolitana de Salvador, é o território líder de desemprego perdendo 9.477 postos de trabalho. Provavelmente por conta do final das obras do metrô e pela paralisia da construção civil. Com a crise econômica o setor imobiliário deixa de construir e tenta vender os imóveis encalhados;
  • o Território Sertão do São Francisco é o campeão em geração de postos de trabalho : 2.518 postos gerados puxados pela indústria do acúcar e investimentos públicos. A grande maioria destes postos de trabalho estão localizados em Juazeiro e Casa Nova;
  • Bacia do Rio Grande, Extremo Sul e Portal do Sertão também apresentam números positivos significativos. Os dois primeiros por conta do agronegócio e o último provavelmente por conta dos resultados da política de atração de investimentos do Governo do Estado.

Conclusão inicial: o agronegócio e a intervenção pública foram o carro-chefe na geração de emprego na Bahia em 2017.

Vou tentar ler os resultados por setor da economia com mais cuidado para avaliar outras possibilidades.

Analise também e nos envie seu ponto de vista: ou sob a forma de comentário ou texto para publicação.

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