Ontem quase todo o dia foi desconfortável, no mínimo. Tomo pra mim os versos da música de Jorge Aragão : “… estava assim sei lá, meio passional por dentro”. Afinal era a última vez que votaria em Lula e o quadro de incertezas me levava a pensar que por mais que fosse parte do jogo democrático uma derrota me soaria profundamente injusta. Afinal a trajetória de Lula não poderia se encerrar com uma derrota melancólica. Confesso que apertei a tecla sem olhar para a foto.

Por tudo que ele fez por este país e pelo seu povo. Goste-se ou não dele, todos os brasileiros que “vieram de baixo” foram impactados por políticas públicas dos seus governos.

No meu caso particular o impacto foi bem maior e duradouro. Me mudei pra Salvador aos trancos e barrancos para estudar na UFBa em 1976. Além dos sonhos trazia a percepção de que o mundo era muito injusto e aqui chegando tive a certeza que além de injusto, desigual. O movimento estudantil me apontava rumos mas me perguntava : o que fazer quando sair da universidade. Precisava trabalhar e não tinha a certeza de que devia integrar organizações clandestinas.

Em 1978 as graves do ABC me mostraram o caminho do movimento sindical. Mais adiante a CUT e o PT. E me mostraram as possibilidades de transformação da nossa socioedade. Porisso não tenho a menos dúvida de afirmar que Lula me deu “régua e compasso”

Obrigado Lula por ter existido na minha vida; obrigado Brasil por ter feito justiça ao brasileiro do século.

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