O MADE – Centro de Pesquisa em Macro Economia das Desigualdades do IE da UNICAMP publica Nota Técnica avaliando o impacto de eventuais cortes de benefício sociais propostos pelo cndidadto Flávio Bolsonaro com ênfase nas cidades pequenas e médias. O impacto é avassalador uma vez que muitas destas cidades, na Bahia a imensa maioria tem a sua renda originada nestas transferencias (BPC, aposentadoria rural, …), comprometendo as economias locais. Baixe o arquivo e leia a seguir.

Caso o tempo esteja curto veja esta publicação no Instagram que resume bem o texto. Recebi de 88m amigo que tb é amigo do autor :

E por fim um breve resumo do texto produzido por IA. Leia e recomende para aquele seu amigo que ainda não decidiu se vai votar no dia 25.

Resumo da Nota de Política Econômica nº 090 (Made, FEA-USP)

O estudo analisa o impacto potencial nas economias locais e na pobreza caso sejam alteradas as regras de reajuste de benefícios sociais (como aposentadorias, pensões, Benefício de Prestação Continuada — BPC e Bolsa Família). A motivação surge no contexto de propostas de ajuste fiscal de cerca de 2% do PIB (R$ 250 bilhões) estudadas pela equipe econômica de Flávio Bolsonaro, que podem incluir a desvinculação desses benefícios dos ganhos reais do salário mínimo.

Principais Pontos:

* Importância das Transferências nas Regiões do Interior:

* O estudo foca nos municípios fora das capitais e regiões metropolitanas (MFCRM), locais onde se concentrou 78% do ganho relativo de votos de Flávio Bolsonaro em relação a 2022.

* Utilizando microdados da PNAD Contínua de 2025, nota-se que as transferências governamentais representam uma fatia muito expressiva da renda dessas localidades (chegando a cerca de 40% a 50% da renda das famílias de baixa renda), pesando proporcionalmente mais do que nas capitais na maioria dos estados.

* Simulações de Renda e Efeito Multiplicador (2027–2029):

* Comparando a trajetória de referência (manutenção do ritmo de crescimento do governo Lula) com cenários alternativos (congelamento total ou adoção de regras observadas no governo Bolsonaro), a renda agregada dos MFCRM em 2029 seria menor: 10,8% inferior no cenário de congelamento e 8,4% inferior no cenário nos moldes da política do governo Bolsonaro.

* Aproximadamente um terço dessa perda decorre de um efeito indireto (multiplicador econômico), refletindo a desaceleração do consumo e do comércio local que afeta inclusive quem não recebe diretamente os auxílios. Os impactos negativos mais intensos recaem sobre as regiões Norte e Nordeste.

* Impactos na Pobreza e Extrema Pobreza:

* Um exercício contrafactual para 2025 demonstra que o congelamento dos benefícios entre 2022 e 2025 teria empurrado cerca de 2,7 milhões de pessoas a mais para a linha de pobreza (e 2,4 milhões para a extrema pobreza) nesses municípios.

* Aplicar o padrão de reajuste do governo Bolsonaro ao mesmo período resultaria em cerca de 1,8 milhão de pessoas a mais na pobreza e 1,4 milhão na extrema pobreza.

O estudo conclui que, embora o desempenho dessas regiões do interior seja frequentemente atribuído ao agronegócio, as políticas públicas de transferência de renda desempenham um papel crucial na sustentação da economia local e na proteção social, tornando esses municípios vulneráveis a cortes ou mudanças nas regras de reajuste.