A agenda de trabalho tem interferido negativamente no calendário de postagens deste blog. Alguns temas não perdem a contemporaneidade como uma análise da conjuntura. É o que apresentamos aqui a partir da visão da SEI, autarquia vinculada à Secretaria do Planejamento do Governo da Bahia.

Além do vídeo trago um resumo produzido pela plataforma TRANSKRIPTOR com auxílio de IA nativa e o arquivo com os dados apresentados.

A apresentação fornece um balanço da atividade econômica de 2025, com foco no quarto trimestre, e projeta as perspectivas para 2026, destacando a incerteza global impulsionada pelas políticas do governo Trump nos EUA e pelo conflito no Oriente Médio.

I. Economia Global (Retrospectiva 2025)

  • Desempenho Geral: O ano de 2025 não foi tão negativo quanto esperado, apesar do “tarifário” dos EUA. Houve redução das taxas de juros na Europa e nos EUA, e expansão fiscal nos EUA com um mercado de trabalho resiliente.
  • Crescimentos Destaques: China e EUA foram as economias que mais cresceram. A China, mesmo com restrições americanas, atingiu um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão ao buscar novos mercados.
  • Desafios: A Europa sofreu com a estagnação e foi a mais afetada pelas tarifas americanas. O crescimento do PIB mundial foi contido pelo choque de tarifas.
  • Taxas de Crescimento: A Área do Euro cresceu 1,3% (Alemanha com recuperação modesta, França 0,9%). O Japão retomou o crescimento. A China alcançou 5%.

II. Economia Brasileira (Retrospectiva 2025)

  • PIB: Cresceu 2,3%, superando a previsão inicial do mercado (1,5%). No entanto, houve desaceleração no 3º trimestre (0,1%) e estagnação (0%) no 4º trimestre, indicando uma trajetória de desaceleração.
  • Lado da Produção:
    • Agropecuária: Destaque, com crescimento de 11,7%.
    • Indústria: Desempenho satisfatório.
    • Serviços: Cresceu 1,8%, sendo o setor de maior peso (70%) e que mais reagiu no pós-pandemia.
  • Lado da Despesa:
    • Consumo das Famílias: Cresceu 1,3% (abaixo do esperado, apesar da geração de empregos).
    • Consumo do Governo: Aumentou 2,1%, impulsionado pelo investimento social.
    • Formação Bruta de Capital Fixo (Investimento): Cresceu 2,9%, uma taxa considerada baixa e insatisfatória para um crescimento sustentável. A taxa de investimento do Brasil, em 16,8% do PIB, precisa superar 20% para gerar poupança suficiente.
  • Mercado de Trabalho Formal:
    • Geração de Empregos: Muito expressiva, com mais de 2,9 milhões de empregos gerados em 2024 (1,67 milhão) e 2025 (1,27 milhão).
    • Taxa de Desocupação: Caiu para uma mínima histórica de 5,1% no 4º trimestre (média anual de 5,6%), a menor desde 2012.
  • Inflação: Preocupa, com taxa anualizada de 4,4% até fevereiro, impulsionada agora pelos serviços, não mais por alimentos.
  • Política Fiscal: Afetada por gastos correntes e, principalmente, pelo peso dos juros (R$ 1 trilhão pago em 2025), o que compromete a capacidade de superávit.

III. Economia Baiana (Retrospectiva 2025)

  • PIB: Cresceu 2,7%, superando o Brasil (2,3%), embora ainda abaixo de seu potencial.
  • Setores Destaque:
    • Agropecuária: Bom resultado, puxada por soja e algodão.
    • Indústria: Cresceu mais que a média nacional, impulsionada pela construção civil (2,9%) e setores como combustíveis, refino e minerais não metálicos.
    • Serviços: Crescimento em linha com o nacional.
  • Setor Externo: As exportações caíram em valor (6%) devido à desvalorização dos preços das commodities e à turbulência global, não pelas tarifas dos EUA (que tiveram impacto limitado). O volume exportado cresceu 2,3%.
  • Mercado de Trabalho Formal: Mais de 94 mil empregos criados, resultando em queda da taxa de desocupação para 8% no 4º trimestre (de 11,1% no 1º). Desafios incluem alta informalidade e a necessidade de qualificação profissional (especialmente para trabalhadores acima de 40 anos) devido ao avanço tecnológico.
  • Arrecadação de ICMS: A desaceleração da economia impactou a arrecadação no 2º semestre de 2025, com quedas mensais em outubro e dezembro. Janeiro de 2026 também apresentou resultado negativo, mas o acumulado de 2025 fechou com 4,7% de crescimento.

IV. Perspectivas para 2026 (Incertezas Dominantes)

  • Cenário Global:
    • Guerra EUA-Irã: Fator crítico de imprevisibilidade. Aumentou o preço do petróleo (oscilando em torno de US$ 100/barril), gerando incerteza e inflação.
    • Projeções do FMI (pré-guerra): PIB Global (3,3%), EUA (2,4%), Eurozona (1,3%), China (4,5%). Estas provavelmente serão revisadas para baixo se a guerra continuar.
    • Risco do Petróleo: O controle iraniano do Estreito de Ormuz pode afetar 20% da produção global de petróleo, impactando economias dependentes, como as europeias.
    • Política Americana: Donald Trump continua imprevisível, com baixa aprovação (36%), e suas ações podem gerar novas tarifas contra a China.
  • Cenário Brasileiro:
    • Economia: O 1º trimestre deverá ser pressionado pela agropecuária (com contribuição menor que em 2025). A taxa de desemprego, que estava em queda, pode subir a partir do 2º trimestre, dependendo da guerra.
    • Medidas Governamentais: A isenção de IR (até R$ 5 mil) e o consignado mais acessível ainda não demonstraram efeitos significativos no consumo.
    • Taxa de Juros: Reduzida para 14,75%, mas ainda “altíssima”, inibindo o crescimento.
    • Inflação: A guerra e a alta dos combustíveis podem gerar uma inflação persistente, impedindo cortes de juros e levando a uma possível retração econômica. O mercado (Focus) projeta PIB de 1,84%, enquanto o Ministério da Fazenda mantém 2,3%. O FMI projeta 1,6% (dado pré-guerra).
  • Cenário Baiano:
    • Dinamismo: Dependerá da indústria e serviços, pois a agropecuária não terá a mesma contribuição de 2025 (previsão de 1,2% de crescimento para 2026).
    • Indústria: Iniciou 2026 com queda de 10%, mas a construção civil (impulsionada por investimentos em infraestrutura) e segmentos como alimentos e minerais não metálicos podem compensar.
    • Desafios: Juros elevados, alta inadimplência e endividamento das famílias impactam o comércio. Serviços e exportações apresentaram resultados negativos no início de 2026.

V. Pontos Abordados no Debate

  • Bolsa Família: O programa, que beneficia 18 milhões de pessoas, deve ser visto como transitório. São necessários mecanismos que incentivem a qualificação e a inserção no mercado de trabalho formal, com uma transição gradual dos benefícios para evitar que se torne uma perpetuação da dependência. A educação é crucial para a inserção, especialmente de jovens, embora seja mais desafiadora para pessoas acima de 40 anos devido à tecnologia.
  • Petróleo como Ativo Estratégico: Além de ser uma mercadoria, o petróleo é a base de transporte (navios, aviões, caminhões), insumos (fertilizantes, plásticos) e cadeias logísticas globais, com um forte componente de especulação financeira. Sua alta impacta diretamente a economia brasileira (dependente do transporte rodoviário) e o agronegócio (custo de fertilizantes, proibição russa de exportação de sulfato de amônia).

VI. Conclusão

O panorama para 2026 é de grande incerteza, com o futuro econômico global e regional altamente dependente da resolução do conflito no Oriente Médio e da estabilidade das políticas externas dos EUA. Apesar dos resultados positivos de 2025 em emprego e renda no Brasil, a baixa taxa de investimento (16,8% do PIB) permanece um desafio fundamental para um crescimento sustentável.