
A morte de Preta Gil ocasionada por um cancer no intestino trouxe ao noticiário o crescimento dos casos de cancer no público “adulto jovem”.
Esta incidencia está bem perto de cada um de nós; certamente temos algum amigo ou conhecido que lida com o problema. No meu caso a incidencia está pra lá de próxima : eu mesmo convivo com um caso na bexiga.
Fui diagnosticado precocemente por conta de um sangramento na urina que me levou a antecipar exames de rotina que realizo anualmente. O problema foi diagnosticado bem no início, providencias tomadas, não preciso tratamento prolongado mas tenho que monitorar a saúde por cinco anos.
A possibilidade do diagnóstico precoce foi facilitada por dois fatores : um plano de saúde (PLANSERV), que tem seus problemas mas resolve, e uma jornada de trabalho que me permite a ausência para intermináveis exames e consultas. Em suma a solução do problema não teve impacto financeiro significatvo, apenas várias corridas de transporte por aplicativo.
E a agenda sindical onde entra : a necessidade de acordos coletivos e legislação de sustento que reconhcessse a necessidade de ações de saúde preventiva sem o comprometimento da remuneração. Exemplificando : um trabalhador do comércio tem parte da sua remuneração obtida a partir do volume de venda (comissões). Não trabalhar para fazer exames preventivos sem sintomas contudentes de problemas (dores, nauseas, tonturas, sangramentos, …) é pouco provável.
Em outras situações as gratificações são coletivas o que esgarça as relações de solidariedade. A ausencia de um trabalhador impacta na gratificação de um setor e faz com que o trabalhador que se ausente fique mal visto pelos demais colegas.
Deve-se levar em conta que o SUS provê soluções para os exames regulares para ações preventivas mas sem oferta à altura da demanda o que amplia a quantidade de horas gastas para os exames necessários. Principalmente quando requer alguma especialidade médica.
E os informais ou contra própria – aí é que a situação é mais dramática. Qualquer hora a menos na jornada impacta negativamente na renda, os algoritimos das plataformas demandam menos serviços e muitas das vêzes estes trabalhadores mesmo com sintomas continuam a trabalhar.
Neste caso o movimento sindical, centrais sindicais à frente, devem ampliar a sua agenda nas negociações com os governantes: fortalecendo a rede do SUS com enfase nas ações preventivas e criando algo semelhante a um auxílio financeiro para suprir a perda de renda nos casos de interrupção do trabalho por conta das ações de prevenção. Claro que com regulamentação bem construída para evitar fraudes.
Não são temas usuais na agenda sindical, menos ainda na agenda da sociedade cada vez mais influenciada pela cultura liberal de culto ao empreendedorismo e produtivismo reforçado por dogmas pseudo evangélicos tipo “a solução é individual”.
Mas são temas que devem ser enfrentados se o movimento sindical quiser retomar o protagonismo social e consolidar os vínculos com uma nova classe trabalhadora que traz novas demandas para a sociedade.