Nos últimos dias as editoriais de economia de jornais e portais de notícias repercutiram a iniciativa da Prefeitura de Araraquara em conjunto com uma cooperativa local de motoristas de aplicativos de adotarem uma plataforma própria em substituição às plataformas tradicionais (leia aqui). O principal diferencial : tarifas iguais às convencionais e 95% do valor da viagem fica ocm os motoristas enquanto nas plataformas tradicionais este valor chega a no máximo 60%.

Observando cuidadosamente : o aplicativo não foi desenvolvido nem pela cooperativa de motoristas e muito menos pela prefeitura. Trata-se da customização de uma plataforma de serviços de mobilidade, https://www.bibimobilidade.com/, disponível no mercado e que possibilita a customização para quem negociar a permissão de uso. Pelo que se observa em declarações de técnicos da prefeitura, link mais abaixo, existia a intenção de desenvolvimento de plataforma própria prefeitura mas a urgência manifestada pelos motoristas levou à solução adotada. No momento o corpo técnico da prefeitura está desenvolvendo plataforma específica para entregadores por moto, bicicleta e patinete.

Se do ponto de vista tecnológico a solução não representa avanço relevante (o controle dos dados permanece com o proprietário do aplicativo idem para os custos de uso e incorporação de novas tecnologias) do ponto de vista da organização do trabalho e dos trabalhadores o avanço é significativo. E apresenta um “case” de sucesso para a gestão pública e para sindicatos e outras formas associativas de trabalhadores.

Para melhor compreensão da realidade deixo como sugestão um vídeo da Fundação Perseu Abramo onde a Camila Capacle, responsável pelos programas de economia criativa e solidária da Prefeitura de Araraquara, explica não só o aplicativo mas toda a estratégia da gestão municipal para a economia popular e solidária.

Recomendo também a leitura do texto do Rafael Grohmann, “O aplicativo de Araraquara e a Soberania Digital” publicado no blog da Editora Boitempo.