Indústria Americana é um longa metragem produzido pelo casal Michelle e Barack Obama e dirigido pelo também casal Karl e Julia Reichert. Chamou a atenção do público brasileiro por ter conquistado o Oscar 2020 de Melhor Documentário derrotando o brasileiro Democracia em Vertigem dirigido pela Petra Costa.
Trata-se de um documentário (disponível no Netflix) que acompanha a instalação de uma indústria chinesa que produz vidro para automóveis onde antes funcionava uma planta da automotiva GM numa cidade de porte médio.
A abertura da fábrica traz de volta a esperança aos antigos operários atirados rapidamente à situação de pobreza com o fechamento da antiga fábrica. Os salários mais baixos em relação à situação anterior não é empecilho por conta dos anos sem renda regular. E o choque cultural (muitos chineses são deslocados para os EUA) absorvido pelas mesmas razões.
As tensões tem início com os resultados financeiros negativos dos primeiros anos: os dirigentes executivos, todos americanos, são substituídos por executivos chineses, o ritmo de trabalho se intensifica e os requisitos de segurança negligenciados aumentando os índices de acidentes de trabalho.
Duas questões me chama a atenção :
- as diferenças do valor atribuído ao trabalho por chineses e norte americanos (arrisco dizer, ocidentais). Enquanto os primeiros atribuem ao trabalho um valor supremo levando-os a secundarizar jornada e ritmo de trabalho, os segundos vêem no trabalho o caminho para a fruição de uma vida mais prazerosa e portanto precisam de tempo livre para tal;
- como decorrência destes valores os trabalhadores chineses acham desnecessário a organização sindical e às vezes até enxergam o sindicato como algo que atrapalha o exercício do trabalho. E os executivos entendem que sindicatos são desnecessários por significar uma instância a mais para a solução de problemas que serão resolvidos mais rapidamente a partir da interlocução imediata no chão da fábrica.
Esta tensão desemboca em plebiscito interno sobre a presença de uma organização sindical na empresa. Vou ficar por aqui pra não dar “spoiler” recomendando aos ativistas do movimento sindical que assistam ao documentário até por uma questão pragmática : com o avanço do capital chinês pelo mundo muito em breve estaremos nos deparando com questões similares.
Matéria muito interessante para nós, que estamos iniciando relação profissonal com uma fábrica chinesa.
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Bem lembrado Fátima…vou rever
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