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Pós 8 de março – mulher e trabalho na RMS

 

Na correria do trabalho (sou blogueiro nas horas vagas) não consegui publicar sobre o Dia Internacional da Mulher. Vamos lá então: este primeiro post terá como base o boletim especial da PED editado pelo DIEESE/SEI. A região de abrangência é Salvador e demais municípios da Região Metropolitana.

A primeira evidência no ano de 2017 é o aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho. Pode ter algo de positiva mas o senso comum nos leva a crer que em tempos de crise as mulheres, notadamente nas famílias de baixa renda, são levadas a buscar alguma ocupação que ajude na renda familiar. Sem necessariamente abandonar as suas responsabilidades domésticas; consolidando assim a dupla jornada de trabalho.

Para além do senso comum os números nos mostram que a oferta de vagas no mercado de trabalho não acompanhou o ritmo da oferta gerada pela ampliação da inserção das mulheres. Resultado : cresce o desemprego entre as mulheres na RMS.

Uma notícia positiva: diminuiu a disparidade entre os rendimentos das mulheres em relação aos homens, tomando como base a remuneração por hora trabalhada.

Enfim, o momento de crise econômica que vivemos acirra mais ainda os históricos problemas de gênero no mercado de trabalho. Mas estas questões específicas, de gênero no caso, devem ser cotidianamente pautadas para que uma próxima retomada da economia traga também as suas soluções. Não podemos repetir o discurso fácil e enganoso de que primeiro a economia deve crescer para posteriormente resolver as questões de gênero.

Mas estas são as minhas conclusões. Tire as suas lendo o boletim do DIEESE/SEI clicando aqui.

Mapa do emprego na Bahia e oportunidades para o movimento sindical

O Ministério do Trabalho divulgou o resultado do CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – para o ano de 2017. O CAGED fornece o mapa das variações do emprego formal e deve ser analisado pelo movimento sindical, particularmente as centrais sindicais, para a definição das suas estratégias.

A SEI, autarquia do Governo do Estado vinculada à SEPLAN, organiza estes dados aqui na Bahia por Territórios de Identidade (clique aqui para ler) e uma rápida leitura permite algumas conclusões:

  • a RMS, Região Metropolitana de Salvador, é o território líder de desemprego perdendo 9.477 postos de trabalho. Provavelmente por conta do final das obras do metrô e pela paralisia da construção civil. Com a crise econômica o setor imobiliário deixa de construir e tenta vender os imóveis encalhados;
  • o Território Sertão do São Francisco é o campeão em geração de postos de trabalho : 2.518 postos gerados puxados pela indústria do acúcar e investimentos públicos. A grande maioria destes postos de trabalho estão localizados em Juazeiro e Casa Nova;
  • Bacia do Rio Grande, Extremo Sul e Portal do Sertão também apresentam números positivos significativos. Os dois primeiros por conta do agronegócio e o último provavelmente por conta dos resultados da política de atração de investimentos do Governo do Estado.

Conclusão inicial: o agronegócio e a intervenção pública foram o carro-chefe na geração de emprego na Bahia em 2017.

Vou tentar ler os resultados por setor da economia com mais cuidado para avaliar outras possibilidades.

Analise também e nos envie seu ponto de vista: ou sob a forma de comentário ou texto para publicação.

O negro e o mercado de trabalho na RMS: considerações a partir da divulgação da PED

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Este blog acompanhou no dia 14 de novembro a entrevista coletiva de lançamento do estudo realizado anualmente pela SEI e pelo DIEESE denominado “A Inserção da População Negra no Mercado de Trabalho na RMS”. Na verdade só compareceram este blog e a TVE. Embora verse sobre “mercado de trabalho” a imprensa sindical nem é convidada e também não manifesta interesse. O mesmo vale para os canais de comunicação identificados com as questões étnicos-raciais.

Não vou resenhar o estudo. Para tal o release da SEI (leia em http://bit.ly/Ped_negros_2017) é o canal adequado. Mas citar e comentar algumas questões que me chamaram a atenção nas falas de Luis Chateaubriand e Ana Margarete, técnicos da SEI e do DIEESE, respectivamente, que conduziram a apresentação à imprensa:

  • as questões conjunturais não podem escamotear as questões estruturais – embora tenhamos uma questão conjuntural importante, a retração da economia que reduz as oportunidades de trabalho, existe um dado estrutural e persistente no mercado de trabalho da RMS : a presença da população negra nos postos com menor renda e condições de trabalho precárias;
  • a ampliação da noção de pertencimento – para os técnicos envolvidos na elaboração do trabalho o aumento da participação do trabalhador negro no mercado de trabalho na RMS se dá não só por razões estritamente demográficas. Cada vez mais as pessoas se reconhecem enquanto negras;
  • a redução “penosa” da desigualdade – termo utilizado algumas vezes por Luis Chateaubriand me chamou a atenção. A desigualdade entre negros e brancos, quer na remuneração quer na ocupação dos postos de trabalho, se dá menos pela melhoria da situação absoluta para os negros mas pela maior redução de renda e de inserção para os não negros. Ou seja: não existe melhoria de renda e/ou ocupação para nenhum grupo étnico. As condições pioram para os não negros, até porque neste segmento é onde está a possibilidade de redução de custos para os empregadores.

São questões que me chamaram a atenção. Mas leiam os textos nos links apresentados e, fico na expectativa, tirem e publicizem as questões que te chamaram a atenção. Esta canal está à disposição para divulgar.

 

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