Terminamos o ano de 2024 com uma ação levada a termo por uma força tarefa composta por Ministério Público do Trabalho (MPT), pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), pela Defensoria Pública da União (DPU) e pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), além do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) que resultou no resgate de 163 trabalhadores em situação de trabalho análogo à escravidão no canteiro de obras da planta onde será instalada a fábrica da BYD na cidade de Camacari (leia aqui).

A ação foi amplamente divulgada pelos meio de comunicação e o que me faz escrever estas linhas é a observação de como se comportaram alguns atores, notadamente o movimento sindical.

A CUT – Central Única dos Trabalhadores – repercutiu o assunto no seu site reproduzindo o publicado no site do MPT-Ba conforme consta nos créditos no inicio da matéria (link aqui). Enfim, não se manifestou. Não verifiquei o site das demais centrais sindicais mas encontrei em publicação da revista VEJA uma declaração de Clemente Ganz, coordenador do Forum das Centrais Sindicais (leia matéria completa aqui) : “Tínhamos proposto um projeto em 2010 no qual a empresa que contratava a terceirizada tinha responsabilidades”, diz Ganz Lúcio, “Num caso como este da BYD, ela seria responsabilizada diretamente porque teria responsabilidade de fazer a gestão deste contrato”. Vou entender o silêncio do movimento sindical local como uma consequência da desmobilização por conta das festas de final de ano.

Já o Governo da Bahia muito pouco se manifestou e quando o fez foi através de depoimentos evasivos sendo alvo de cobranças de parlamentares de oposição já que patrocina uma ação comandada pela Secretaria do Trabalho e Emprego denominada Agenda pelo Trabalho Decente. E o prefeito recém empossado de Camacari, o petista Luis Caetano, minimizou o ocorrido especulando a existencia de uma manobra conspiratória para desestabilizar a implantação da BYD no nosso estado (leia aqui).

Para concluir: não se trata de questionar a importancia da chegada da BYD à Bahia. A expectativa de geração de empregos de qualidade e internalização de tecnologia e inovação é inquestionável e justifica o esforço e algumas isenções. Mas deve-se exigir que a legislação brasileira seja cumprida e mais ainda que a dignidade humana seja assegurada. Para não corremos o risco, por omissão ou tolerância, de darmos início a mais um ciclo de colonização com uma roupagem mais “moderna”.