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Evolução do mercado de trabalho formal na Bahia : pistas para a ação sindical

A divulgação dos dados do CAGED referentes ao mês de maio de 2018 chamou a atenção pelos números negativos na geração de postos de trabalho formais mesmo incorporando as situações de trabalho intermitente. Esta situação, em que o trabalhador pode ou não ser aproveitado por um empregador sem jornada definida é aceita pelas estatísticas a partir da entrada em vigor da reforma trabalhista.

Na Bahia o quadro é diferente: observa-se no boletim mensal (leia aqui) publicado pela SEI, órgão de estudos e estatísticas do Governo do Estado da Bahia, que a geração de postos de trabalho no estado é positiva não só em maio mas também no acumulado do ano. Não vou entrar em detalhes recomendando a leitura do boletim pois pretendo abordar alguns aspectos que, acredito, tenham relevância para a ação do movimento sindical. Vamos lá então :

  • a ampliação da oferta de postos de trabalho formais na Bahia continua a crescer no interior do estado e a diminuir, mesmo que levemente, na Região Metropolitana de Salvador. A central sindical que se pautar por esta tendência certamente ampliará o seu capital político sindical;
  • neste ano de 2018 um dos segmentos profissionais que mais ofertou postos de trabalho foi o de comércio e serviços. Quase todas as cidades de porte grande ou médio tem um sindicato de trabalhadores no comércio. Existe alguma ação articulada entre eles?
  • o agronegócio também é um grande ofertante de postos de trabalho formais. Aí temos mais desafios a enfrentar: os sindicatos de assalariados rural, poucos, tem dificuldade de representação devido à sazonalidade da atividade e à mobilidade da mão de obra, conseqüência da própria sazonalidade. Esta dificuldade desestimula a constituição de sindicatos de assalariados e a representação fica por conta dos sindicatos de trabalhadores na agricultura familiar; que nem sempre incorpora as questões inerentes ao assalariamento ou por desconhecimento ou por falta de interesse. O certo é que este contingente de trabalhadores também fica à margem da representação sindical.

O certo é que esta consolidação do mercado formal não tem sido acompanhada de uma ação sindical compatível e necessária. E dado o cima de instabilidade vivido é uma oportunidade que não se sabe por quanto tempo se manterá.

O negro e o mercado de trabalho na RMS: considerações a partir da divulgação da PED

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Este blog acompanhou no dia 14 de novembro a entrevista coletiva de lançamento do estudo realizado anualmente pela SEI e pelo DIEESE denominado “A Inserção da População Negra no Mercado de Trabalho na RMS”. Na verdade só compareceram este blog e a TVE. Embora verse sobre “mercado de trabalho” a imprensa sindical nem é convidada e também não manifesta interesse. O mesmo vale para os canais de comunicação identificados com as questões étnicos-raciais.

Não vou resenhar o estudo. Para tal o release da SEI (leia em http://bit.ly/Ped_negros_2017) é o canal adequado. Mas citar e comentar algumas questões que me chamaram a atenção nas falas de Luis Chateaubriand e Ana Margarete, técnicos da SEI e do DIEESE, respectivamente, que conduziram a apresentação à imprensa:

  • as questões conjunturais não podem escamotear as questões estruturais – embora tenhamos uma questão conjuntural importante, a retração da economia que reduz as oportunidades de trabalho, existe um dado estrutural e persistente no mercado de trabalho da RMS : a presença da população negra nos postos com menor renda e condições de trabalho precárias;
  • a ampliação da noção de pertencimento – para os técnicos envolvidos na elaboração do trabalho o aumento da participação do trabalhador negro no mercado de trabalho na RMS se dá não só por razões estritamente demográficas. Cada vez mais as pessoas se reconhecem enquanto negras;
  • a redução “penosa” da desigualdade – termo utilizado algumas vezes por Luis Chateaubriand me chamou a atenção. A desigualdade entre negros e brancos, quer na remuneração quer na ocupação dos postos de trabalho, se dá menos pela melhoria da situação absoluta para os negros mas pela maior redução de renda e de inserção para os não negros. Ou seja: não existe melhoria de renda e/ou ocupação para nenhum grupo étnico. As condições pioram para os não negros, até porque neste segmento é onde está a possibilidade de redução de custos para os empregadores.

São questões que me chamaram a atenção. Mas leiam os textos nos links apresentados e, fico na expectativa, tirem e publicizem as questões que te chamaram a atenção. Esta canal está à disposição para divulgar.

 

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