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Hora de solidariedade concreta aos catadores de recicláveis

Mantendo sua prática coerente com o discurso o Presidente Jair Bolsonaro vetou projeto aprovado pelo Congresso Nacional que estendia a trabalhadores de setores informais da economia o acesso ao auxílio emergencial. Agora o veto retorna ao Congresso podendo ser derrubado mas este processo pode ser demorado por conta do volume de projetos em tramitação e das condições de funcionamento da casa legislativa por conta das medidas de isolamento social.

Para aqueles que buscam a sobrevivência na coleta de materiais recicláveis a situação é mais dramática. Pelos riscos inerentes à atividade o exercício da mesma é desaconselhado neste momento. E provavelmente o será nos próximos meses por algumas razões:

  • superada a fase aguda da pandemia entraremos num processo de recessão econômica que impactará nos níveis de consumo e por conseguinte impactará negativamente no volume de resíduos disponíveis;
  • as atividades sócio-recreativas (São João, final de ano, carnaval, …) sofrerão severas restrições, provavelmente sendo proibidas. A “economia da aglomeração” sofrerá forte impacto negativo;

No seu conjunto estes fatores apontam para uma situação dramática que remete à necessidade de ações de solidariedade coordenadas e de longa duração. E que oferece a possibilidade de uma aliança objetiva entre trabalhadores formais e informais que pode evoluir para a compreensão de que a classe “que vive do trabalho” deve agir enquanto tal. Objetivando:

  • cada cooperativa deve elaborar um perfil sócio econômico dos seus cooperados com o máximo possível de informações para ações mais imediatas (documentação, inscrição no CadÚnico e outras formalizações que permitam o acesso ao auxílio emergencial na forma em vigor) e ações de médio prazo (escolarização, formação profissional, …);
  • buscar entidades de apoio para organizar campanha coletiva de ações solidárias de médio prazo;
  • dialogar com centrais sindicais e sindicatos para articular apoio que podem se dar em duas modalidades :
    • apoio direto através de doações;
    • utilizar os canais de comunicação e mala direta da entidade para fazer chegar as ações de solidariedade às suas bases sociais
    • disponibilizar profissionais de comunicação para estruturarem as ações de divulgação das campanhas (cards, perfis em redes sociais, …)
  • dialogar com partidos políticos para adesão

Estas ações não impedem e nem conflitam com ações de natureza política de pressão sobre o Congresso Nacional e o necessário debate e enfrentamento do Governo Bolsonaro.

Este blog pretende desenvolver campanha de apoio ainda esta semana dentro dos limites do seu alcance.

EcoFolia Solidária – um exemplo a ser seguido e abraçado

Ecofolia_ponto_apoio

A foto acima retrata um dos pontos de apoio (Politeama) do Projeto EcoFolia Solidária – o trabalho decente preserva o meio ambiente, ação conjunta do Governo do Estado da Bahia, Governo Federal e mais alguns parceiros públicos e privados e levado à prática por um conjunto de cooperativas tendo à frente o CAMAPET, cooperativa de catadores localizada no bairro do Uruguai.

A história deste projeto é longa e este blog propõe-se a conta-la após o carnaval. Até porque os dirigentes das cooperativas envolvidas trabalham arduamente no projeto nas semanas que antecedem o carnaval, durante o carnaval e alguns dias depois. E o projeto não tem excedente para remunerar uma assessoria de comunicação.

Indo ao ponto: cinco cooperativas de reciclagem articulam o trabalho de catação de resíduos no circuito do carnaval, basicamente latas de bebidas, realizado pelos próprios cooperados e por catadores avulsos. Por articular entenda-se:

  • fornecer equipamentos de proteção individual para a realização do trabalho : macacão, botas, luvas, protetores auriculares e sacos para acondicionar o material coletado;
  • organizar grupos de costura para produzir os macacões;
  • fornecer três refeições diárias para catadores e demais trabalhadores envolvidos no processo;
  • organizar grupos de cozinheiro(a)s para produzir as refeições fornecidas aos trabalhadores envolvidos;
  • comercializar coletivamente o resultado da coleta conseguindo assim preços superiores àqueles obtidos com a comercialização individual realizada pelos catadores.

Com esta iniciativa pretendem coletar 30 tonelada de latinhas durante o carnaval e gerar renda para:

  • 30 costureiras
  • 115 cozinheiros
  • 98 catadores cooperativados
  • 600 catadores avulsos (em 2012 foram 2.750)

Enfim, uma ação que não onera os cofres públicos e que tem um impacto significativo. Fica o compromisso de contar esta história com detalhes após o carnaval. Até lá

 

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