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Cooperativismo de plataforma : um aplicativo a serviço dos catadores

Cataki é um aplicativo que objetiva aproximar catadores, produtores e comercializadores de materiais recicláveis. Desenvolvido em código aberto por iniciativa do Pimp My Carroça tem um design amigável e funções simples porém efetivas.

Conversei rapidamente com Joilson Santana do CamaPet, cooperativa de catadores de recicláveis de Salvador, bairro do Uruguai para ser mais preciso, sobre as possibilidades de iniciativa semelhante em Salvador. A idéia está no radar do CamaPet porém duas questões precisam, na visão de Joiloson, ter tratamento adequado:

  • um aplicativo alinhado com as insuficiências de letramento da maioria dos catadores acompanhados pelo CamaPet como também as dificuldades de acesso à tecnologia;
  • o desafio de organizar um coletivo de programadores com vinculação orgânica com a cooperativa para garantir a autonomia dos cooperados no desenvolvimento de soluções.

As ponderações me parecem pertinentes e trazem duas questões antigas para os movimentos dos trabalhadores: a formação profissional atualizada com olhar voltado para as novas tecnologias e a elevação de escolaridade. Aparentemente demandas divergentes mas intimamente vinculadas pelas novas características do mundo do trabalho

Hora de solidariedade concreta aos catadores de recicláveis

Mantendo sua prática coerente com o discurso o Presidente Jair Bolsonaro vetou projeto aprovado pelo Congresso Nacional que estendia a trabalhadores de setores informais da economia o acesso ao auxílio emergencial. Agora o veto retorna ao Congresso podendo ser derrubado mas este processo pode ser demorado por conta do volume de projetos em tramitação e das condições de funcionamento da casa legislativa por conta das medidas de isolamento social.

Para aqueles que buscam a sobrevivência na coleta de materiais recicláveis a situação é mais dramática. Pelos riscos inerentes à atividade o exercício da mesma é desaconselhado neste momento. E provavelmente o será nos próximos meses por algumas razões:

  • superada a fase aguda da pandemia entraremos num processo de recessão econômica que impactará nos níveis de consumo e por conseguinte impactará negativamente no volume de resíduos disponíveis;
  • as atividades sócio-recreativas (São João, final de ano, carnaval, …) sofrerão severas restrições, provavelmente sendo proibidas. A “economia da aglomeração” sofrerá forte impacto negativo;

No seu conjunto estes fatores apontam para uma situação dramática que remete à necessidade de ações de solidariedade coordenadas e de longa duração. E que oferece a possibilidade de uma aliança objetiva entre trabalhadores formais e informais que pode evoluir para a compreensão de que a classe “que vive do trabalho” deve agir enquanto tal. Objetivando:

  • cada cooperativa deve elaborar um perfil sócio econômico dos seus cooperados com o máximo possível de informações para ações mais imediatas (documentação, inscrição no CadÚnico e outras formalizações que permitam o acesso ao auxílio emergencial na forma em vigor) e ações de médio prazo (escolarização, formação profissional, …);
  • buscar entidades de apoio para organizar campanha coletiva de ações solidárias de médio prazo;
  • dialogar com centrais sindicais e sindicatos para articular apoio que podem se dar em duas modalidades :
    • apoio direto através de doações;
    • utilizar os canais de comunicação e mala direta da entidade para fazer chegar as ações de solidariedade às suas bases sociais
    • disponibilizar profissionais de comunicação para estruturarem as ações de divulgação das campanhas (cards, perfis em redes sociais, …)
  • dialogar com partidos políticos para adesão

Estas ações não impedem e nem conflitam com ações de natureza política de pressão sobre o Congresso Nacional e o necessário debate e enfrentamento do Governo Bolsonaro.

Este blog pretende desenvolver campanha de apoio ainda esta semana dentro dos limites do seu alcance.

EcoFolia Solidária – um exemplo a ser seguido e abraçado

Ecofolia_ponto_apoio

A foto acima retrata um dos pontos de apoio (Politeama) do Projeto EcoFolia Solidária – o trabalho decente preserva o meio ambiente, ação conjunta do Governo do Estado da Bahia, Governo Federal e mais alguns parceiros públicos e privados e levado à prática por um conjunto de cooperativas tendo à frente o CAMAPET, cooperativa de catadores localizada no bairro do Uruguai.

A história deste projeto é longa e este blog propõe-se a conta-la após o carnaval. Até porque os dirigentes das cooperativas envolvidas trabalham arduamente no projeto nas semanas que antecedem o carnaval, durante o carnaval e alguns dias depois. E o projeto não tem excedente para remunerar uma assessoria de comunicação.

Indo ao ponto: cinco cooperativas de reciclagem articulam o trabalho de catação de resíduos no circuito do carnaval, basicamente latas de bebidas, realizado pelos próprios cooperados e por catadores avulsos. Por articular entenda-se:

  • fornecer equipamentos de proteção individual para a realização do trabalho : macacão, botas, luvas, protetores auriculares e sacos para acondicionar o material coletado;
  • organizar grupos de costura para produzir os macacões;
  • fornecer três refeições diárias para catadores e demais trabalhadores envolvidos no processo;
  • organizar grupos de cozinheiro(a)s para produzir as refeições fornecidas aos trabalhadores envolvidos;
  • comercializar coletivamente o resultado da coleta conseguindo assim preços superiores àqueles obtidos com a comercialização individual realizada pelos catadores.

Com esta iniciativa pretendem coletar 30 tonelada de latinhas durante o carnaval e gerar renda para:

  • 30 costureiras
  • 115 cozinheiros
  • 98 catadores cooperativados
  • 600 catadores avulsos (em 2012 foram 2.750)

Enfim, uma ação que não onera os cofres públicos e que tem um impacto significativo. Fica o compromisso de contar esta história com detalhes após o carnaval. Até lá

 

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