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Juventude, estudo e trabalho na RMS

No início do mês de dezembro o DIEESE – ER Ba divulgou o estudo  “JUVENTUDE : ESTUDO E TRABALHO – A experiência da juventude na RMS – 1997 a 2016”.

A data de divulgação não ajudou na repercussão do estudo dada a proximidade com o Natal e a chegada do verão. Mas revelou-se oportuna na medida em que a ONU e CEPAL vem divulgando relatórios sobre o tema.

Oportuno também devido aos frequente sinais de desestruturação do mercado de trabalho brasileiro ocasionado pela redução da atividade econômica e pela crescente desindustrialização da nossa economia.

Os indicadores apresentados para a relação “estudo X trabalho” para a população situada entre 15 e 29 anos, embora distantes do ideal, vinham em constante melhoria no período analisado  (em 1997, apenas 15,5% tinham completado o ensino básico, em 2016, essa proporção chegou a 54,4%). Estes avanços foram obtidos graças às políticas públicas que reforçaram o sistema de ensino e ao incremento da renda das famílias que reduziu a pressão para o ingresso precoce do jovem no mercado de trabalho.

Com o congelamento dos gastos da União e com a retomada do emprego através de ocupações precárias este cenário tende a se agravar.

Outra questão que chama a atenção é a persistência nos indicadores da quantidade de jovens que não trabalham, não estudam e não procuram trabalho situando-se na casa de 11,5%. Estes jovens possuem baixo índice de escolaridade e boa parte estão envolvidos com afazeres domésticos ou cuidados com parentes.

Enfim: um excelente instrumento para a elaboração de políticas públicas para a juventude quer pelo Governo do Estado quer pelas prefeituras das cidades que fazem parte da RMS. E também para que os movimentos sociais atualizem a sua pauta para o tema “juventude”

Como fica a sustentação financeira dos sindicatos ?

A Folha de São Paulo publicou na sua edição de 18 de novembro matéria sobre o programa de incentivo à demissão voluntária adotado pela CUT (leia aqui). A notícia causou algum reboliço em grupos de dirigentes sindicais cutistas em redes sociais. Mas como está virando praxis nas redes sociais os rebuliços não duram mais que 24 horas e logo o assunto cai no esquecimento como se não tivesse existido.

O certo é que a adequação da CUT à nova realidade financeira está em curso. Esta central sindical, como as demais, não possui mecanismos para geração direta de receita. E ainda que tivesse não conseguiria amealhar recursos significativos. Financia-se através da contribuição dos sindicatos a ela filiados. E a CUT sabe muito bem que a maioria dos seus sindicatos são financiados pelo imposto sindical que acaba de ser extinto pela reforma trabalhista.

Mas como os sindicatos vão sobreviver ? – esta é a pergunta que os dirigentes sindicais evitam se fazer. O crescimento da oferta de empregos com carteira assinada nos governos Lula e Dilma não foi acompanhado de campanhas de sindicalização. Agora com a economia em marcha lenta estas campanhas não tem efetividade imediata embora mais do que nunca necessárias.

Várias alternativas para recompor o potencial de arrecadação estão disponíveis e muitas delas fazem parte de resoluções e recomendações da CUT. Mas todas elas implicam na renovação da organização e ação sindical. Começo citando a possibilidade de compartilhamento das estruturas de apoio dos sindicatos: gráficas, sedes, auditórios, unidades de lazer poderiam ter uso coletivo. Reduz custo fixo e fortalece os laços entre diferentes categorias. Ou a iniciativa de fusão de sindicatos de um mesmo setor produtivo: aqui na Bahia temos pelo menos quatro sindicatos representando os trabalhadores do setor calçadista. E para evitar demissões a partir da racionalização das estruturas de suporte os sindicatos deveriam promover a requalificação dos seus funcionários para que estes dessem um suporte mais qualificado à ação sindical.

E por falar em ação sindical aí reside parte dos problemas ou das soluções. Os sindicatos precisam estar mais próximos das suas categorias para melhor identificar suas demandas e encaminhar soluções adequadas. Mas o que é “categoria profissional” no mundo do trabalho contemporâneo? Num mesmo local de trabalho convivem trabalhadores com diferentes vínculos empregatícios, trabalhadores por conta própria e agora os trabalhadores “intermitentes” . E o que é “local de trabalho” senão a própria cidade, para alguns tipos de atividade econômica?.

Todas estas questões, e outras tantas que escapa a este escriba, devem ser enfrentadas e resolvidas para que os trabalhadores voltem a confiar nas entidades sindicais e voltem a financiá-lo. Não creio que apenas a racionalização da gestão seja o suficiente.

Para problematizar um pouco mais a questão deixo como sugestão de leitura o texto de Clemente Ganz, coordenador técnico do DIEESE, publicado originalmente no Le Monde Diplomatique em sua edição brasileira. Clique aqui para acessa-lo.

E para quem prioriza a racionalização da gestão vale ler o texto publicado no site Vermelho.

O cenário é desafiador. Superá-lo implica em reconhecê-lo, analisa-lo, refletir e, principalmente, agir. Sigamos…

O negro e o mercado de trabalho na RMS: considerações a partir da divulgação da PED

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Este blog acompanhou no dia 14 de novembro a entrevista coletiva de lançamento do estudo realizado anualmente pela SEI e pelo DIEESE denominado “A Inserção da População Negra no Mercado de Trabalho na RMS”. Na verdade só compareceram este blog e a TVE. Embora verse sobre “mercado de trabalho” a imprensa sindical nem é convidada e também não manifesta interesse. O mesmo vale para os canais de comunicação identificados com as questões étnicos-raciais.

Não vou resenhar o estudo. Para tal o release da SEI (leia em http://bit.ly/Ped_negros_2017) é o canal adequado. Mas citar e comentar algumas questões que me chamaram a atenção nas falas de Luis Chateaubriand e Ana Margarete, técnicos da SEI e do DIEESE, respectivamente, que conduziram a apresentação à imprensa:

  • as questões conjunturais não podem escamotear as questões estruturais – embora tenhamos uma questão conjuntural importante, a retração da economia que reduz as oportunidades de trabalho, existe um dado estrutural e persistente no mercado de trabalho da RMS : a presença da população negra nos postos com menor renda e condições de trabalho precárias;
  • a ampliação da noção de pertencimento – para os técnicos envolvidos na elaboração do trabalho o aumento da participação do trabalhador negro no mercado de trabalho na RMS se dá não só por razões estritamente demográficas. Cada vez mais as pessoas se reconhecem enquanto negras;
  • a redução “penosa” da desigualdade – termo utilizado algumas vezes por Luis Chateaubriand me chamou a atenção. A desigualdade entre negros e brancos, quer na remuneração quer na ocupação dos postos de trabalho, se dá menos pela melhoria da situação absoluta para os negros mas pela maior redução de renda e de inserção para os não negros. Ou seja: não existe melhoria de renda e/ou ocupação para nenhum grupo étnico. As condições pioram para os não negros, até porque neste segmento é onde está a possibilidade de redução de custos para os empregadores.

São questões que me chamaram a atenção. Mas leiam os textos nos links apresentados e, fico na expectativa, tirem e publicizem as questões que te chamaram a atenção. Esta canal está à disposição para divulgar.

 

Imposto de Renda – proposta para uma tributação mais justa

Calendário para entrega da declaração de imposto de renda ativado e quase ninguém atenta para a injustiça tributária em curso. Nos últimos anos o DIEESE vem apresentando propostas para corrigir as distorções desta modalidade de arrecadação de impostos. Distorções estas que poderiam ter sido corrigidas durante os governos Lula e Dilma.

Já que não foram é clicar no link a seguir, ler pensar em colocar a reforma tributária na ordem do dia…http://www.dieese.org.br/notatecnica/2017/notaTec169IRPF.pdf

crédito da foto <a href=”http://www.freepik.com/free-vector/money-and-taxes_956874.htm”>Designed by Freepik</a>

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