Este não é um post sobre a figura do político Pablo Marçal. Sob este prisma temos textos sobrando na internet, todos de boa qualidade.

Quero falar sobre o uso pelo candidato do recurso dos “cortes”, bem comum no público jovem que cresceu nas redes sociais. A partir do momento que o TikTok ameaçou as plataformas da Meta (Instagram) e da big tech que controla os app do Google (na caso o YouTube) que a disputa pela atenção através de vídeos curtos se acirrou com o sucessivo lançamento de recursos de edição.

O termo “cortes” surge inicialmente no YouTube. Nada de muito novo : com o crescimento dos podcasts de entrevistas ao vivo (conhecidos como “mesa cast”) o YouTube incentivou a publicação de vídeos com os trechos mais importantes ou propensos a provocar polêmicas editados a partir do original, sempre longos. Daí o termo “cortes”.

As demais plataformas reagiram criando a possibilidade de edição e publicação destes vídeos curtos pelos seguidores/admiradores do autor do original. Esta iniciativa amplia as possibilidades de visibilidade e acesso de novos públicos.

Pablo Marçal quando vai aos debates pouco se importa com a audiência destes (até porque a audiência ainda é pequena). Organiza a sua performance para que sua equipe produza material para alimentar os seus perfis de redes sociais e incentiva os seus seguidores a editarem e publicarem as novas versões destas suas intervenções. Acrescidas das “traquitanas” disponíveis para incrementar o resultado final. Com isso chega a um público que não chegaria normalmente e com uma apresentação mais alinhada com a visão de mundo do autor da remixagem.

Errado não está e ilegal não é. Até o momento o deslize foi o incentivo financeiro a estas práticas. Que fica no limbo da legislação eleitoral dada as novidades diárias. Até o momento a acusação possível é de abuso do poder econômico.

Por fim, independendo da candidatura, precisamos ficar atentos às novas possibilidades de ação político midiática e trazer para o convívio das forças progressistas a juventude nativo digital para não ficarmos na reação e sim produzirmos estratégias adequadas às novas possibilidades.