Faço uso da imagem da CUT para homenagem aos aposentados, ou o termo politicamente correto “pessoas aposentadas”, para provocar o necessário debate sobre o financiamento da seguridade social de forma geral e da remuneração de aposentados e pensionistas em particular.

Este financiamento está ancorado em duas premissas que já não se mantém na medida das necessidades:

  • uma configuração etária onde os mais jovens sempre seriam maioria e que gerou um pacto geracional onde os mais jovens financiavam a aposentadoria dos mais idosos. Hoje a pirâmide etária se inverteu e caminhamos para uma sociedade envelhecida desfazendo o pacto geracional;
  • uma base contributiva calçada no pleno emprego formal. Ou seja, uma sociedade com baixo desemprego e carteira assinada para todos. Desnecessário estender argumentos para mostrar que este cenário não mais existe e é de difícil retorno.

Agrava este cenário a desoneração sobre a folha de pagamento que não apresenta evidências de geração de novos postos de trabalho formais.

O que fazer – mais uma vez chegamos na reforma tributária. Dia destes acompanhei um debate on line onde o expositor defendia a tese que temos que chamar para a mesa de debates os setores que apresentam alta lucratividade e empregam pouco: agronegócio, mineração e energias renováveis, por exemplo. Estes setores, e outos por óbvio, devem ser chamados a contribuir com o financiamento na nossa previdência.

Outras medidas devem ser pensadas e trazidas ao debate. Mas sem esta discussão e sem a vontade política de buscar soluções efetivas e que responsabilizem os mais ricos continuaremos a “chorar pitangas” e lidar com a redução de direitos.

PS – um dos problemas de um sindicalismo que cada vez mais representa os trabalhadores formais e com reduzida precariedade é que este problema, previdência, é resolvido pelos fundos de pensão. Mas cabe perguntar : até quando ?